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Economia parada: queda nos investimentos é preocupante

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

O desempenho da economia brasileira está de mal a pior. Resultados do terceiro trimestre deste ano, divulgados pelo governo, indicam quedas nas principais variáveis que compõe o Produto Interno Bruto. Pode-se medir o desempenho da economia analisando a chamada oferta agregada. Neste contexto são analisados os desempenhos dos setores da economia: primário, secundário e terciário. Até mesmo o setor do agronegócio (setor primário), que vinha ajudando a não derrubar demasiadamente o PIB, observou queda. Todos os setores andaram para trás: setor primário (queda de 2,4%), setor secundário (retração de 1,3%) e o setor terciário (contração de 1%).


Também é possível analisar o Produto Interno Bruto pelo lado da demanda agregada. As variáveis envolvidas são: consumo das famílias, investimentos, gastos do governo e setor externo (exportações menos importações). O consumo está em queda livre (-1,5%); os investimentos declinaram 4%, os gastos do governo ainda operaram no campo positivo (+0,7%) e o setor externo somente não foi pior devido à queda no volume das importações, pois as exportações também não se sustentaram. As importações caíram 6,9% diante de uma queda de 1,8% nas exportações. Resultado: contração de 4,5% sobre idêntico período do ano passado e queda de 1,7% sobre o trimestre anterior.


Tudo preocupa, mas a queda expressiva dos investimentos é que mais chama a atenção. O Brasil deveria investir no mínimo 25% do PIB para garantir o que denomina-se crescimento sustentado. Os investimentos atuais estão abaixo de 18%. Por esta variável é que o país garante a sustentação do crescimento. Os recursos de investimentos são canalizados para ampliação da oferta de energia, saneamento, estradas, portos, aeroportos, novas plantas industriais, ampliação da oferta no agronegócio, comércio e serviços em geral, entre outros. Sem isso a economia operará em desequilíbrio, refletido na dificuldade em controlar a inflação, por exemplo.


Os investimentos não vêm por falta de excedentes das empresas (mais de 60% das empresas não financeiras tiveram suas margens de lucro achatadas), pela falta de confiança e ainda pela própria ausência do governo da economia. Somente a Petrobrás vinha gerando mais de 2% do PIB em investimentos. Isso sem considerar toda a cadeia de influência desta importante companhia. Esta falta de investimentos compromete o futuro da economia brasileira. Os gargalos existentes não são equacionados e quando a economia voltar a respirar, o tempo entre a retomada e a necessidade da ampliação da oferta, será muito elevado, gerando mais desequilíbrios ainda.


Em meio a tudo isso, é evidente que o governo também terá dificuldade para fechar suas contas. Economia fraca, arrecadação tributária fraca. Para azedar ainda mais o cenário, a inflação não cede, indicando que a autoridade monetária tem que continuar monitorando a economia com juros altos, enxugamento de liquidez, se quiser que a coisa não desgarre.


A estagflação (inflação alta, queda no PIB e desemprego em alta) se instalou definitivamente na economia e para nós que operamos no mercado a atenção deverá ser redobrada. Se ser estrategista seria um diferencial neste momento, penso que agora é questão de sobrevivência. É no mínimo delicada a situação do Brasil.


O autor é economista e articulista do JC

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