Tribuna do Leitor

Seja trouxa, jogue na mega-sena!

Edson de Oliveira
| Tempo de leitura: 1 min

Na década de 60, havia um torneio entre paulistas e cariocas chamado “Roberto Gomes Pedrosa”, mais conhecido como Rio-São Paulo. Por São Paulo disputavam: Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos e Portuguesa; pelo Rio de Janeiro disputavam: Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo e América. Era dividido por sorteio em dois grupos.


Por critérios da época, a final era uma única partida entre os dois primeiros classificados de cada grupo, que, por “sorteio”, poderia ser no Maracanã ou no Pacaembu, desde que se classificassem um paulista e um carioca. E, por coincidência, quando isso acontecia, era sempre sorteado o Maracanã, o que começou a chamar a atenção dos paulistas.


Feita investigação apurou-se que das duas bolinhas colocadas dentro de um certo recipiente para sorteio, a que estava escrito Pacaembu passava uma noite dentro de uma geladeira. No dia do sorteio, a pessoa escolhida a dedo, pelos cariocas, para sorteá-la, era orientada a tirar a sem gelo. Para os que não sabem, aviso.


As bolinhas que contêm os números da Mega-Sena (cuja grafia correta é MEGASSENA, em mais um desserviço que o governo federal presta à educação brasileira) são feitas de material levíssimo. Ocorre que os números previamente determinados a sair, logicamente, quando ela está acumulada, são impressos em bolinhas muito mais pesadas. É fácil perceber que quando agitado o recipiente que contém as bolinhas, as mais pesadas ficam embaixo, sendo portanto sorteadas. Um laranja faz o jogo com aqueles números e “ganha” a Mega-Sena acumulada. Os criadores desta genialidade dividem entre eles as esperanças de quem joga.


Enquanto isso, os trouxas ficam em filas tentando a sorte e sendo gozados por aqueles que, de antemão, sabem quem irá ganhar o prêmio, que normalmente sai no Distrito Federal ou em uma localidade da qual você nunca ouviu falar. Continue jogando.

Comentários

Comentários