O Brasil em geral, e Bauru em particular, tem grande tem tradição em tolerância racial e religiosa. Daí o depoimento da jovem de religião muçulmana Danielle Dromereschi aqui no JC, que diz ter tido de abandonar o véu ou a “burca (hijab)” devido a preconceito, soa até certo ponto inverossímil, principalmente quanto a agressão física (que não é explicada na entrevista). O que acontece está mais para o jeito jocoso de brincar com coisas sérias da população, do que preconceito religioso.
Vivemos em uma sociedade multicultural e religiosa, composta por várias raças e credos e, em poucos lugares no mundo, Danielle encontraria maior liberdade religiosa do que aqui no Brasil e em Bauru. Este é um valor a ser preservado, caro para nossa sociedade, fazendo parte da Constituição. Por aqui, nenhuma autoridade religiosa afro, cristã, budista, espírita, judaica ou de seitas de toda espécie prega intolerância e, se pregar, será penalizada e repudiada pela população.
Já tive a oportunidade de encontrar muçulmanos em seu traje religioso pela cidade várias vezes e outras em São Paulo, principalmente próximo à rua 25 de Março e sempre vi da população um misto de curiosidade, no máximo bem humorado, dentro do espírito alegre do brasileiro, mas sempre com respeito.
É preciso de parte a parte um aprendizado de tolerância, lembrando que ela é uma rua de mão dupla e muçulmanos têm, como cristãos em países árabes, que aprender a conviver com a cultura local, que inclui vestuário e até bom humor.
Imagino como seria em Meca, na Arábia Saudita, um local cristão pelas ruas de comércio. Primeiro ele seria expulso de sua casa por ser classificado como” infiel” pela própria família e, dependendo da vertente muçulmana, poderia até ser condenado à morte.
Ademais dificilmente um árabe se tornaria cristão, já que são proibidas igrejas e doutrinação de qualquer outra religião que não o Islamismo e missionários são presos só por serem cristãos. Isto ocorre em praticamente todos os países árabes, não só nos radicais como o estado Islâmico ou Irã. É ainda mais grave quando estes preconceitos estão na lei e são gerados diretamente pelas autoridades religiosas oficiais.