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A reforma da praça Rui Barbosa, no Centro, gerou frustração entre os moradores. Revitalizada ao custo global de R$ 653.958,45, as intervenções não agradaram. Bastou a Prefeitura de Bauru retirar os tapumes da obra para que ela virasse vedete no Facebook. Nos conteúdos das postagens uma pergunta crucial: onde foram gastos os R$ 654 mil autorizados em contrato para a reforma?
Mas, além da dificuldade em identificar onde foi utilizado cada parte dos recursos públicos, usuários assíduos da área de 7.992 metros quadrados reclamam da qualidade de serviços realizados e apontam precariedade em instalações, com direito a desnível no piso, buracos, lajotas quebradas e acabamento sofrível em vários pontos.
A Prefeitura de Bauru reconhece a necessidade de que alguns serviços sejam refeitos, mas garante o total de investimentos. O governo admite que a revitalização frustrou expectativas. “A praça tem 5.000 metros de pedra portuguesa. E isso não foi trocado. Foram pontos isolados que foram feitos. E como a área é enorme, ficaram os desníveis. Isso, associado a alguns defeitos que terão de ser refeitos, gerou essa frustração. Mas foi feita a reforma elétrica completa e só isso consumiu R$ 235 mil”, aborda o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues.
O JC foi atrás das informações para a identificação dos itens do contrato. A obra da reforma da praça Rui Barbosa foi iniciada em fevereiro deste ano. O valor do contrato inicial, após a licitação, foi de R$ 566.306,22. A contratação incluiu os serviços de canteiro de obras, de remoção e instalação, divididos em sete itens (veja quadro nesta página). O projeto elaborado pela Prefeitura levou em conta duas questões principais: a precariedade dos banheiros e das instalações elétricas.
E aqui começa, a princípio, a maior dificuldade pelo usuário na identificação de onde foram gastos os R$ 654 mil. Antes dos apontamentos, um parêntese: o total não inclui despesas com materiais e serviços realizados diretamente por servidores das Secretarias de Obras e Semma. Do contrato original, foi identificado ao longo da execução a falta de serviços hidráulicos e necessidade de fechar o canteiro de obras até o final, para evitar a “ação de vândalos e para que o espaço público virasse abrigo de usuários de drogas e criminosos”, aponta o secretário Sidnei Rodrigues.
De adição em adição, o contrato original passou de R$ 566 mil para R$ 654 mil, através de um aditivo (acréscimo de serviços e materiais). Só de tapume a Prefeitura gastou mais R$ 30 mil. Foi previsto apenas 100 metros do material no início. Outros 800 m2 foram adquiridos para resolver o impasse.
Na hora de assinar os acréscimos (aditivo), a administração municipal percebeu que diversos serviços não estavam contemplados. E lá vieram mais R$ 87,6 mil para que a praça contasse com bicicletário, rampas, mini-guias e a tal placa de obra (tapume). A qualidade dos materiais utilizados (metal e madeira) não agradou.
Projetores e neon custaram R$ 60 mil
Entre os frequentadores da praça Rui Barbosa há posições divergentes a respeito dos itens escolhidos na reforma. Para a turma do truco, perto do coreto, a Prefeitura gastou muito dinheiro e o resultado final não aparece. Para taxistas, do ponto existente pela rua Antonio Alves, a reforma eliminou perigos com fios desencapados e pontas de ferros, mas pecou em outros itens. Só os projetores e um trecho em neon custaram mais de R$ 60 mil.
O aposentado José Pereira questiona o uso de neons. Ele acha feio o item e ficou assustado quando soube do valor dos projetores subaquáticos. A praça recebeu 77 unidades. Cada um custou R$ 727,45. “Nessa crise, a Prefeitura com problema de dinheiro, e gastam tudo isso para iluminar o chafariz. E esse neon no arco? É feio, bem brega. Quem escolheu isso?”, protesta.
Perto dali, o comerciante Arlindo Oliveira “descansava” na área de cimento no local destinado aos bancos. “Gastaram tudo isso e entregaram sem o assento em madeira dos bancos?”, indaga. A administração informa que parte dos assentos terá a montagem concluída pela Prefeitura. As bases em cimento foram entregues pela contratada.
Para o ambulante João Elias, o valor chama a atenção. “É muito pouca coisa feita para um gasto de mais de R$ 650 mil. O piso continua com um monte de desnível e não foi trocado quase nada. O paisagismo aqui teve muita coisa colocada pela própria Prefeitura”, reclama. A Secretaria de Obras confirma que alguns itens vieram da administração, “Temos todo o memorial descritivo identificado cada item. Alguns pontos foram incluídos na licitação, como uma área gramada e plantas em vasos. Mas a Semma contribuiu porque a área instalada é muito grande”, cita o secretário Sidnei Rodrigues.
A Comissão de Obras da Câmara Municipal solicitou toda a documentação, incluindo projeto, licitação, orçamentos, planilhas, ordens de serviço e contrato, relativa à revitalização da Rui Barbosa.
Cabo enterrado
O item instalações elétricas é o que impõe maior dificuldade na checagem a olho nu. São cabos e dutos, boa parte enterrados após a remoção do piso em mosaico. Conforme os engenheiros da Secretaria de Obras e da Seplan, a praça era um perigo a céu aberto. “Cabos estavam expostos, ao ar livre. Foi sorte não acontecer acidente grave com a precariedade das instalações elétricas. Na reforma foi necessário trocar tudo e acrescentar itens. É um serviço que encarece o projeto”, avalia o engenheiro Jorge Okawa, fiscal da obra.
Do ponto de vista da execução dos serviços contratos, o secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, é enfático: “A população tem razão em reclamar de serviços ruins que nós estamos pedindo que sejam refeitos e de pontos que não foram concluídos. Mas o que foi contratado foi executado, item a item na obra. A dimensão da praça, de 9.772 metros quadrados, gera essa frustração com o resultado”.
Em relação aos preços, a equipe da Seplan explicou que o orçamento e a licitação levaram em conta preços por unidade, de serviços e materiais. Os orçamentistas apontam que a tabela é pelo Sistema Nacional de Preços (Sinap), adotado de forma regionalizada pelo governo federal. “A Caixa, intermediária na fiscalização do contrato, exige o uso da tabela Sinap, que é federal, para todos os contratos em convênio firmados com o governo federal. A tabela é atualizada e identifica cada um dos itens e preços. Os eventuais que não estavam na tabela são orçados em três empresas do ramo para compor a média”, esclarece Rodrigues.
| Pedro Romualdo/Divulgação |
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| Usuários questionam a oportunidade de gastos, como a iluminação do chafariz, em detrimento do piso de toda praça |

