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| “Comecei a gostar de música por causa do meu pai, que cantava italiano e ensinou todos os filhos” |
Hobby e profissão tem o mesmo nome para Marcos Pópolo: música. Ele é guitarrista, compositor e professor. Apaixonado por composições, o entrevistado de hoje lançou dois álbuns: “Rock and Roll World”, de 1997, e “Let Yourself Go”, em 2014.
“Meu último CD é todo instrumental. Minha carreira hoje está toda voltada à música instrumental”, comenta ele, que ainda é dono do Instituto Guitarisma, escola de música que atrai alunos de toda a região e até de outros estados para Bauru.
Recentemente, o Instituto criou o projeto “Segundas Culturais”, voltado para a apresentação só de músicas autorais ou instrumentais. “A entrada é gratuita e alunos de outras escolas ou pessoas da comunidade também podem se apresentar”, acrescenta.
O guitarrista ainda encontra tempo para se dedicar à revista de circulação nacional Guitar Player, onde há alguns anos faz as principais lições autorais.
Casado com Lena e pais dos gêmeos de 10 anos, Agatha e Nicolas, Marcos também aborda o seu encontro com a música na infância, por influência do pai. Leia mais, a seguir.
Jornal da Cidade – Seu pai, o saudoso e conhecido Pópolo da Cantina Del Pópolo, sempre foi muito musical. Isso influenciou a escolha da sua carreira?
Marcos Pópolo – Sim, eu comecei a gostar de música por causa do meu pai, que cantava italiano e ensinou todos os filhos a também cantar. Ele chegou a nos levar para o Bixiga, em São Paulo, para cantarmos nas cantinas de lá. Meu pai gostava de nos ver nos palcos e, por isso, tive contato com ele (palco) muito cedo. Mas não era nada pesado para a gente. Eu queria agradar o meu pai e deixá-lo orgulhoso. Porém, ainda não pensava em seguir carreira na música.
JC – Quando você deixou a música falar mais alto?
Marcos – Eu sempre quis tocar violão. Aos cinco anos, por exemplo, minha mãe fez um bolo de aniversário para mim em formato de violão. Eu ganhei o meu primeiro instrumento aos 11 anos de idade, mas morava em Piratininga e, na época, não encontrei professores. Até que nos mudamos para Bauru e eu conheci amigos que também gostavam de rock. E eu me interessei pela guitarra. Isso aos 14 anos. Mas ainda não queria ser músico. Pensava em ser médico. Aos 16 anos, comecei a dar aulas para amigos, vizinhos do bairro, cozinheiros do meu pai, ou seja, descobri minha vocação para ensinar música. Eu já sentia satisfação em ver os outros aprenderem. Aí eu já não pensava mais em ser médico. Só pensava em música. Entre os meus professores, destaca-se o renomado professor de guitarra Mozart Mello.
JC – Qual foi a sua trajetória em bandas bauruenses?
Marcos – Desde que eu comecei a tocar, eu sempre quis compor. Nunca gostei de tocar músicas dos outros. Mas é claro que, no começo, você precisa tocar as músicas de outros artistas, porque você está aprendendo e precisa ter referências. Eu fui criando as minhas próprias músicas e tocando em bandas que tocavam as composições de outros grupos. Até que, em 1993, eu ajudei a fundar a banda Cavalo Morto, com o Tio Chico, o Ronaldo e o Alan Breslau. Depois veio o Rubinho. Eu toquei por um ano e sai para tocar em uma banda de composições que já existia em Bauru, a Kara de Anjo. Eles tinham música própria, já haviam gravado um disco e me chamaram. Eu fui, mas minha saída da Cavalo Morto foi tranquila, porque os caras sabiam dessa minha identificação por tocar músicas autorais. Chegamos a gravar algumas coisas, mas não lançamos discos.
JC – Você já lançou trabalhos solos, certo?
Marcos – Como o projeto da Kara de Anjo não foi muito para frente, eu quis registrar minhas músicas e lancei meu primeiro disco, em 1997, o “Rock and Roll World”. O segundo é recente. Foi lançado em 2014, o “Let Yourself Go”. O disco de 1997 foi um dos primeiros álbuns solos gravados por um guitarrista do interior. Contei com a parceria de muita gente bacana, 27 artistas. O meu último CD é todo instrumental.
JC – Quando você abriu o Guitarisma?
Marcos – Eu abri o Instituto Guitarisma em 2000. Contamos hoje com 15 professores e ensinamos piano, guitarra, baixo, violão, viola popular, bateria, teclado, canto, violino...O trabalho na escola está sendo bacana. Criamos o projeto “Segundas Culturais”, voltado para a apresentação só de músicas autorais ou instrumentais. A entrada é gratuita e o nosso teatro abriga algumas dezenas de 80 pessoas. Os convites precisam ser retirados na escola. Alunos de outras escolas ou pessoas da comunidade também podem se apresentar, basta me mandar o material para eu analisar antes, porque é preciso ter qualidade.
JC – Projetos futuros?
Marcos – Eu tenho a ideia de fazer um DVD do meu último trabalho, mas ainda é uma ideia que está sendo amadurecida. Minha carreira hoje está toda voltada à música instrumental. Ainda muito ocupado. Além da escola, sou colaborar da revista de circulação nacional Guitar Player. Acabei de terminar minha sétima capa. Eu faço as lições autorais. Venho fazendo as principais lições autorais dos últimos anos. Também produzo vídeos com lições e dicas para o site da revista: www.guitarplayer.com.br.
JC – Como você analisa o mercado da música no Interior?
Marcos – A música como um produto vendável perdeu muito valor com a internet. Quando você grava um disco, as pessoas não querem comprar porque acessam as músicas, de maneira legal ou ilegal, na rede. Então não é mais lucrativo para quem é compositor. Nesse aspecto, o mercado está bem ruim. Mas há coisas boas. Por exemplo, você pode criar um canal no Youtube e atrair o público. Entretanto, eu vejo que as gravadoras estão priorizando a imagem do artista e não a música.
JC – Quais são as suas influências na guitarra?
Marcos – Gosto muito dos guitarristas britânicos, como o Ritchie Blackmore, David Gilmour, Tony Iommi, entre outros. Mas gosto de guitarristas brasileiros, também. Posso citar Cláudio Venturini e Kiko Loureiro.
Perfil
Nome: Marcos Pópolo
Idade: 42 anos
Signo: Capricórnio
Local de nascimento: São Paulo
Esposa: Lena
Filhos: Agatha e Nicolas
Livro de cabeceira: “Réveillon e outros dias”, de Rafael Gallo
Filme preferido: Gosto de ficção científica e documentários
Hobby: Tocar
Time de futebol: Palmeiras
Estilo musical preferido: Rock, mas a música erudita também chama a minha atenção
Para quem dá 10: O amor é nota dez
Para quem dá 0: Para o extremismo
E-mail: www.marcospopolo.com
