| Malavolta Jr |
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| Vinícius Thomaz (Ferreira de Menezes), Vinícius Carvalho (Ayrton Busch) e Felipe Silva (Stela Machado) mostram documento levado à DRE com as três condições para que as escolas sejam desocupadas |
Uma reunião na manhã dessa segunda-feira (7) na Diretoria Regional de Ensino (DRE) de Bauru poderia ter encerrado as ocupações de três escolas na cidade. Não foi o que ocorreu. O encontro entre estudantes e a dirigente substituta Beatriz Ortiz não evoluiu para as desocupações das escolas estaduais Stela Machado (Vila Pacífico), Ayrton Busch (Parque Jaraguá) e Antônio Ferreira de Menezes (Alto Alegre), todas motivadas pela reorganização anunciada pelo governo estadual. A outra escola ocupada, a EE Luiz Castanho de Almeida (Vila Falcão), não teve membros participando da reunião, pois os alunos não teriam concordado com alguns pontos que seriam levados a DRE.
Apesar do anúncio da suspensão da reorganização, os estudantes entendem que o ato do governador Geraldo Alckmin pode ser revogado a qualquer momento, o que exige a manutenção da mobilização. Por outro lado, pelo Estado todo, 42 escolas já foram desocupadas (leia mais na página 20).
Em Bauru, representantes das escolas Stela Machado, Ayrton Busch e Antônio Ferreira de Menezes se reuniram com a direção regional de ensino e colocaram, após realização de assembleia junto aos demais estudantes em cada unidade, três pontos para que essas unidades fossem desocupadas: que não haja retaliação aos estudantes; espaço para que os alunos participem das decisões das escolas; e ainda uma retratação formal da dirigente regional de ensino, Gina Sanchez, por conta de uma informação de que estudantes em escolas ocupadas estariam usando entorpecentes.
Procurada pelo JC, Gina defende-se e alega que não fez nenhuma acusação, o que elimina a necessidade de uma retratação. “O que houve foi uma denúncia anônima na Diretoria Regional. Em nenhum momento, eu citei algum estudante, não acusei ninguém, não tem o que retratar. Quanto aos outros dois pontos, também não interferem diretamente na desocupação, até porque o governo já suspendeu a reorganização”, afirma a dirigente.
Os estudantes foram recebidos ontem por Beatriz Ortiz, porque a titular Gina Sanchez se encontra em São Paulo. Ela retorna a Bauru na quinta-feira e disse à reportagem que, até sexta-feira, vai responder o documento protocolado pelos alunos na reunião, com as três condições mencionadas.
Tensão
Na EE Ayrton Busch, no Parque Jaraguá, a segunda-feira foi tensa em função de fatos ocorridos logo no início da manhã. De acordo com relatos de estudantes que estão na ocupação, o diretor, alguns professores e funcionários da unidade entraram na escola, inclusive com força policial, em ato caracterizado pelos alunos como “invasão”, pois não há nenhuma determinação judicial de reintegração de posse.
Um suposto furto, alegado pela coordenação, teria motivado a chamada da Polícia Militar, por volta das 6h. Em seguida, alguns professores teriam entrado na escola e tentado dar aula, sem sucesso. A unidade está ocupada há mais de 15 dias. Os estudantes citam que o movimento é legítimo e que, portanto, o ato registrado na manhã de ontem é considerado, por eles, como uma “invasão” ao movimento de ocupação.
Em nota, a Secretaria da Educação repudiou os atos de vandalismo ocorridos na Escola Estadual Professor Ayrton Busch. “A pasta lamenta que o direito à manifestação de alguns estudantes contrários ao processo de reorganização das escolas termine com a depredação de um patrimônio público e educacional, prejudicando centenas de alunos e comprometendo o término do ano letivo”.
Reposição
Apesar das ocupações continuarem, já se sabe que haverá necessidade de reposição dos dias sem aula. O calendário só será definido após as desocupações, contudo, escolas que estão há mais tempo sem aula, como o Stela Machado, deverão ter dias letivos até em janeiro. “O ano escolar acaba no dia 18. Mesmo que a desocupação terminasse agora, pelo tanto de dias sem aula, teria que repor na semana do Natal e no começo de janeiro. Mas cada escola vai ter seu calendário de reposição, conforme o tempo sem aula”, menciona Gina Sanchez.
Na OEA
Um grupo de advogados de Bauru protocolou no sábado petição na Corte Interamericana de Direitos Humanos da Associações do Estados Americanos (OEA) por conta da resposta do governo aos protestos dos estudantes contra a reorganização escolar. Na petição, que possui 24 folhas, são citados abusos contra os direitos humanos no uso da força policial.
