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Mesmo com registros positivos de lucratividade (leia mais abaixo), os bancos de Bauru fecharam 71 vagas de trabalho nos dez primeiros meses de 2015. O número representa 4,7% do total de 1,5 mil postos estimados na cidade.
Segundo a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB), elaborada pela Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a extinção de vagas em Bauru foi bem maior do que em cidades de mesmo porte, como Franca e Piracicaba. Na primeira, foram 15 postos fechados e, na segunda, 37.
O resultado foi pior, também, do que em cidades como Marília (15 vagas) e Presidente Prudente (1). Tanto o Dieese quanto o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, vinculado à Conlutas, avaliam que a extinção das vagas tende a gerar impactos na qualidade dos serviços prestados pelos bancos à população, bem como sobrecarga de trabalho aos funcionários que permaneceram nas instituições.
“Estes bancários acabam assumindo novas funções sem remuneração compatível. Sobrecarregados, ficam mais suscetíveis a erros. Na outra ponta, está o cliente, que passa a esperar mais tempo na fila quando precisa recorrer ao atendimento pessoal. Neste ambiente de estresse, a insatisfação e os consequentes conflitos tendem a ser maiores”, pontua a economista do Dieese, Regina Camargos.
De acordo com o levantamento da Contraf-CUT/Dieese, dos 107 demitidos em Bauru de janeiro a outubro, 52% solicitaram o desligamento, possivelmente após aderiram a planos de aposentadoria incentivada instituídos por bancos públicos, que oferecem vantagens aos funcionários com mais tempo de carreira (e, via de regra, salários maiores) para que saiam das empresas voluntariamente.
Pressão?
Por meio de nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que, das 6.316 vagas extintas nos dez primeiros meses deste ano, em todo o País, quase 6 mil foram decorrentes de programas de antecipação de aposentadoria. O órgão, contudo, não comentou os impactos do fechamento dos postos.
Diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/CSP-Conlutas Fábio Ernani Heubel questiona os argumentos da federação, destacando que, em boa parte dos casos, há pressão para que os trabalhadores em condições de se aposentar aceitem aderir aos planos voluntários. “Quem deseja continuar trabalhando pode sofrer, inclusive, com ameaças de transferência para estados distantes. O objetivo do banco com estes planos é fechar vagas ou substituir trabalhadores por outros que irão ganhar salários bem menores”, pontua.
De fato, a remuneração média dos 36 bancários contratados entre janeiro e outubro em Bauru foi 32% menor que os vencimentos dos 107 demitidos. A Febraban salienta, contudo, que esta diferença decorre de promoções conquistadas no decorrer das carreiras longevas que, normalmente, os bancários trilham dentro de uma mesma instituição – com duração média de 100 meses, ante os 18 meses nos demais setores.
Mulheres seguem ganhando menos
De acordo com o levantamento da Contraf-CUT/Dieese, elaborado com base em números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), as mulheres, mesmo com maior escolaridade, continuam recebendo menos do que os homens nos bancos de Bauru.
A média dos salários do sexo feminino admitidos entre janeiro e outubro foi de R$ 3.525,70, valor 14,5% inferior à remuneração dos homens, que foi de R$ 4.121,44.
A diferença de salário, contudo, é ainda maior na demissão. As mulheres que tiveram o vínculo de emprego rompido nos bancos de Bauru entre janeiro e outubro recebiam R$ 4.865,96, 20,9% menos do que a remuneração média dos homens desligados dos bancos, que foi de R$ 6.150,02.
Segundo avaliação da economista do Dieese Regina Camargos, embora esta diferença venha caindo nos últimos anos, uma forte desigualdade de gênero ainda persiste, principalmente em razão da perda da juventude da mulher ao longo de sua carreira e de uma eventual decisão pela maternidade.
“Existe o preconceito de que, quando ela tem filhos, se torna menos produtiva para as empresas. E, quando envelhece, fica menos interessante para vender os produtos do banco. Em função disso, a mulher terá duas ou três promoções durante a carreira e, dificilmente, chegará a cargos hierárquicos mais elevados”, pondera.
Lucro
O diretor do Sindicato dos Bancários Fábio Ernani Heubel salienta que o fechamento de vagas de trabalho não pode ser justificado nem mesmo pela crise, já que o nível de lucratividade das empresas continuou crescendo. De acordo com ele, os lucros médios dos bancos aumentaram 27% nos nove primeiros meses de 2015, em comparação ao mesmo período de 2014.
“Mesmo com estes resultados, os funcionários continuam sendo penalizados. É humanamente impossível eles darem conta de tantas atribuições diante de quadro de pessoal deficitário. Cobrança por metas, assédio moral, extrapolação de jornada, ameaça de demissões e insatisfação dos clientes são apenas alguns dos motivos que levam um quarto dos bancários em todo o País a tomarem remédios tarja preta”, conclui.
