A crise econômica, criada e agravada pela crise política, trava o Brasil. Estamos vivendo um círculo vicioso. Mas há um perigo maior ainda, mais danoso ao povo brasileiro: o rompimento com a democracia, tão duramente conquistada no século passado. Não será passando por cima da democracia que vamos resolver os problemas do País. Ao contrário. Se queremos recolocar o Brasil nos trilhos, discutir mudanças no governo, nas políticas econômicas, o caminho é a democracia, o respeito à Constituição.
São inegáveis as conquistas e os avanços sociais dos últimos anos, como melhorias na distribuição de renda por meio da política de aumento do Salário Mínimo, que, segundo o Dieese, teve alta de 262%, sendo mais de 72% de aumento real. E avanços na formalidade do emprego - atualmente, cerca de 60% dos trabalhadores no Brasil têm carteira assinada, com garantia dos direitos trabalhistas - no acesso à educação e à saúde. Mas é cristalina e urgente a necessidade de mudar o rumo da política econômica para que o Brasil reconquiste credibilidade e, consequentemente, supere a crise recente que nos assola, que tem fechado vagas de trabalho e reduzido o poder de compra dos trabalhadores e das trabalhadoras.
Com este propósito de mudança, no último dia 3 de dezembro, foi firmado o Compromisso pelo Desenvolvimento, entre centrais sindicais e entidades empresariais, que irão dialogar com o Governo, pela retomada de investimentos no setor produtivo e de energia. E é neste contexto que o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas e da Fabricação do Álcool, Etanol, Bioetanol e Biocombustível de Bauru e Região parabeniza o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, por ter anunciado neutralidade em relação ao processo de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff.
O Brasil vive um momento histórico em que a legalidade e as instituições democráticas são testadas, o que exige opinião e atitude firme de todos e todas que têm compromisso com a democracia. Respeitamos as opiniões divergentes, mas a decisão do povo nas urnas tem de ser respeitada. Não podemos deixar que a crise seja desculpa para o rompimento com a democracia.
O autor é presidente do Sindquimbru (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas e da Fabricação do Álcool, Etanol, Bioetanol e Biocombustível de Bauru e Região), secretário-geral da Fequimfar (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo) e integrante da diretoria da IndustriALL Global Union