Economia & Negócios

Pais adiantam compra de material escolar devido à alta de preços

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto
Vanessa Grossi e a vendedora Rosana Ferreira dos Santos

No primeiro ano em que precisou comprar material escolar para a filha, a dentista Vanessa Grossi, 33 anos, cotou preços em novembro e, dois meses depois, quando decidiu ir às papelarias, levou um susto. Teria de gastar muito mais do que o esperado.

A experiência serviu como lição e, nesta terça-feira (15), Vanessa se antecipa. Com a filha com 4 anos e o caçula com 2 anos, ela já providenciou todos os materiais de que as crianças irão precisar para o próximo ano letivo. Assim como ela, preocupados com o encarecimento das mercadorias, muitos pais estão adiantando a compra dos itens da lista fornecida pelas escolas, como forma de economizar.

Segundo previsão da Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (Abfiae), a nova coleção de materiais que está chegando às lojas está, em média, 10% mais cara em relação a um ano atrás. A entidade estima que produtos fabricados no País, como canetas, cadernos e borrachas, podem ter aumento de até 12% e que os produtos importados da Ásia, como mochilas, lancheiras e estojos, subirão entre 20% e 30%.

Mas, com a antecipação das compras, os pais têm mais chances de ainda encontrar produtos sem o reajuste, conforme explica o presidente da Abfiae e diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, Rubens Passos.

“O consumidor deverá encontrar uma diferença grande de preços nas lojas, porque muitas ainda estão com estoque de mercadorias adquiridas no primeiro semestre - antes, portanto, do reajuste aplicado pela indústria a partir de julho”, comenta.

Precaução

Foi o que ocorreu com Vanessa Grossi. Nesta semana, ela foi a uma papelaria nos Altos da Cidade, onde encontrou mochilas e lancheiras em promoção. Como os preços estavam bem abaixo dos anunciados nas novas coleções, já garantiu a compra para os dois filhos.

“Gostei do preço e do modelo das mochilas e levei”, comenta. Também para não ser surpreendida e pagar mais caro, providenciou todos os materiais das crianças ainda no mês passado, assim que a listas foram divulgadas pela escola.

Gerente da loja, Nilo Sérgio Alves Junior comenta que, embora não sejam a maioria, muitos pais também estão adotando a mesma postura precavida. Além de contarem com maior variedade de produtos – muitos com preço bem abaixo da média, os consumidores também têm a vantagem de encontrar as lojas menos cheias, o que proporciona maior tranquilidade para a pesquisa.

“As escolas também estão atentas a este movimento e antecipando, cada vez mais, a lista de materiais, até porque muitas voltam às aulas no final de janeiro. Com isso, os pais têm condições de se programar melhor”, pontua, salientando que, no estabelecimento, ainda é possível encontrar mochilas e lancheiras em queima de estoque com até 50% de desconto.

João Rosan/JC Imagens
Rubens Passos explica o que ocasionou a alta nos preços

Os preços

Segundo o presidente da Abfiae e diretor regional do Ciesp em Bauru, Rubens Passos, a alta nos preços dos materiais escolares foi provocada, principalmente, pela forte desvalorização do real frente ao dólar nos últimos 12 meses e pelo aumento da inflação. Ele explica que a alta do dólar faz com que os preços dos produtos acabados importados da Ásia fiquem mais caros, assim como os insumos comprados no Exterior para a produção nacional.

“A desvalorização do câmbio também impacta nos insumos que são commodities, como o papel (celulose), cujos preços se comportam conforme o mercado mundial”, salienta.

Já o aumento da inflação provoca elevação de outros custos, como energia elétrica. Passos salienta, contudo, que os fabricantes repassaram os aumentos ao varejo a partir de julho e que, por este motivo, não há justificativa para novas altas de preços quanto aos lançamentos que já estão sendo comercializados nas papelarias.

Procura maior

Proprietária de uma papelaria do Jardim Estoril, Márcia Anzolin Barreiros conta que, neste ano, possivelmente em razão da maior preocupação dos pais em economizar, a procura antecipada por materiais escolares cresceu 20% em relação ao ano passado. Segundo ela, o movimento começou a se intensificar já no início de novembro e deve continuar forte até o final do ano.

“Está bem acima do esperado. Acredito que, por medo de uma eventual alta nos preços principalmente a partir do ano que vem, os consumidores estão reservando o 13.º salário para garantir a compra de todos os materiais agora”, analisa.

De acordo com Márcia, a loja começou a receber lançamentos em agosto e, atualmente, quase todos os produtos de sua loja já são comercializados com o reajuste médio de 10%, com exceção apenas do que ainda há em estoque de coleções passadas. “Mesmo assim, a procura é intensa. O acréscimo nos preços foi aplicado, mas as pessoas estão com medo de aumentar ainda mais”, observa.

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