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Depois de superar um acidente de moto que o impediu de trabalhar por quase dois anos, o autônomo Lenon Guilherme Bozelli, 24 anos, poderá comemorar este Natal com tranquilidade. Ontem, ele quitou sua última dívida remanescente e conseguiu, finalmente, tirar seu nome do cadastro do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).
Assim como Lenon, milhares de consumidores em Bauru estão buscando sair da inadimplência e dar-se de presente o acesso ao crédito antes da virada do ano. Somente no período entre 11 de setembro e 15 de dezembro deste ano, o órgão registrou 5.798 exclusões do cadastro, referentes a negociações de pagamento firmadas por quem estava negativado na cidade.
“Trata-se de um recorde. É mais do que o dobro da média mensal ao longo de todo o ano, incluindo dezembros de anos passados”, afirma o assessor de imprensa e advogado da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Elion Pontechelle Júnior.
Segundo ele, o alto endividamento da população e o desejo de limpar o nome para poder voltar a comprar a prazo antes da chegada do Natal são dois motivos que, associados, levaram a este resultado. A preocupação com as contas de começo de ano e a necessidade de obter crédito para honrar as despesas de janeiro também podem explicar o fenômeno.
Mas, para muitos, a vontade de deixar as dívidas atrasadas no “ano velho” pode ser uma simples e boa razão para regularizar a vida financeira antes da virada. É o caso de Lenon Bozelli, que, depois de um período difícil, “zerou” seus débitos, ontem, com um sorriso no rosto.
Liberdade
O valor totalizava R$ 570,00, entre dívidas bancárias e em lojas de confecções. “Voltei a trabalhar há seis meses, mesmo ainda tendo dificuldade para andar. Antes disso, fiquei sem receber e as dívidas foram se acumulando. Mas, agora, está tudo resolvido. Vou terminar o ano sossegado, sem dever nada para ninguém. Não tem coisa melhor”, garante.
No início do mês, o autônomo José, 43 anos, que não quis ter sua imagem e sobrenome divulgados, também quitou uma dívida de R$ 62,59 referente a uma conta de telefone, mas ainda não teve o nome retirado do cadastro do SPC. Segundo ele, por morosidade, a empresa de telefonia ainda não comunicou o órgão sobre o pagamento.
“Eu espero que isso seja resolvido logo, porque quero ter o nome limpo para poder comprar maquinários para montar uma fábrica de doces. Quando a gente fica devendo, perde a dignidade, a liberdade. E ter liberdade é um alívio”, observa.
67% dos inadimplentes no Brasil querem brindar 2016 sem dívidas
Pesquisa realizada pelo SerasaConsumidor com 8.288 consumidores nas agências da Serasa no País revelou que 67% dos inadimplentes pretendem sair da inadimplência ainda neste ano. Já no Estado de São Paulo, a porcentagem é maior: 72% dos entrevistados disseram que vão se empenhar para brindar a chegada de 2016 sem débitos.
Segundo Elion Pontechelle Júnior, nesta época do ano, a empresa cobradora do SPC de Bauru está oferecendo uma série de vantagens para o recebimento das dívidas vencidas, com descontos de juros ou mesmo do valor principal do débito, além de parcelamento. “Quanto mais antiga a dívida, maior a facilidade para fazer o acordo. E, efetuada a negociação, o nome do devedor é excluído imediatamente do cadastro a partir do pagamento da primeira parcela”, ensina.
Pontechelle Júnior salienta que a melhor maneira de regularizar pendências financeiras é procurar diretamente a empresa credora ou mesmo o SPC para buscar uma renegociação. Ele frisa que o consumidor deve estar atento a propagandas milagrosas, que prometem a retirada do nome do cadastro por meios não convencionais.
“Eles anunciam que ‘compram dívida’ ou que conseguem ‘deixar o nome limpo’. São empresas que cobram juros altos, com parcelamentos de longo prazo e que podem convencer o devedor até mesmo a envolver familiares como fiadores destes contratos. Portanto, é preciso cautela quando a oferta parecer uma saída atrativa para as dificuldades financeiras”, ensina.
Segundo a Serasa Experian, nestes casos, estas empresas que se oferecem como intermediárias para a renegociação da dívida podem, depois de cobrar pelo serviço, até mesmo desaparecer sem fazer a quitação do valor devido pelo consumidor.
