Bairros

Por que as luzes estão se apagando?

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 2 min

Quioshi Goto
Já tivemos natais mais iluminados. O que estaria acontecendo?

Basta andar pelas ruas residenciais para notar a diminuição e, em muitos endereços, a ausência da preparação dos rituais para o Natal. Já não se nota com facilidade a sutileza e o capricho de enfeites e luzes, verdadeiros malabarismos de arte que antecedem o 25 de dezembro.

No comércio, os consumidores foram às lojas em busca de iluminação e outros itens de decoração natalina, porém, de olho na economia. A constatação é dos próprios lojistas e vendedores.

Objetos menores e mais baratos foram os primeiros a saírem das lojas. Para não aumentar o valor da conta de luz, os consumidores buscaram por lâmpadas de led, mais econômicas. “A busca pelo que é mais barato e econômico ficou bastante evidente, mas não podemos nos queixar das vendas. A loja vendeu como nos anos anteriores”, observa a vendedora Daniele Lopes Cabral, que trabalha há muitos anos no ramo.

Por outro lado, o gerente de uma loja de artigos diversos, incluindo enfeites e decoração, José Carlos Zaratine avalia que itens destinados à decoração externa foram mais visados por empresas e entidades. Pessoas em busca de decoração para o lar procuraram mais por enfeites internos, como árvores.

“As pessoas compraram, sim, mas não com aquela intensidade de alguns anos. Bauru até premiava as decorações residenciais. Noto que há um certo desânimo com a situação econômica do País. As pessoas estão com medo de comprar o que elas consideram supérfluo. Porém, o Natal é uma data especial e uma coisinha ou outra todo mundo acaba levando para casa”, avalia.


Desencantamento?

Para o filósofo e professor Fausi dos Santos, tal fenômeno de desencantamento das datas sacras não é um processo recente. Já há algum tempo, acredita ele, paira sobre tais festas certo desinteresse, só sobrevivendo nas famílias mais tradicionais. Mas a que se deve tal constatação?  “Independente de acreditar ou não em Jesus Cristo ou no Natal, vivemos um tempo de ceticismo e desencanto. As coisas, os espaços e o tempo se tornaram uma mesma coisa. Estejamos no interior de um teatro, cinema, museu, em uma igreja ou shopping, tudo é uma mesma coisa, não existe as rupturas de níveis, não somos educados para perceber as intensidades afetivas que demandam em cada lugar”, avalia. 

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