Grande parte dos alunos de escolas infantis municipais da região pertence a famílias de baixa renda. Vivem uma dura realidade, com privações de todas as espécies. Para amenizar a situação, muitas escolas estão desenvolvendo projetos que despertam os ‘pequeninos’ para o mundo da fantasia e, ao mesmo tempo, os colocam em contato com a literatura.
Em Pirajuí, o V Sarau homenageou, neste ano, Maurício de Sousa por sua contribuição das histórias em quadrinhos. No ano passado, o Monteiro Lobato foi quem recebeu a mesma comemoração. O primeiro contato com as poesias acontece desde o berçário. No final do ano, o encerramento do ano letivo é o momento especial para a maioria dos alunos. É quando eles declamam poesias. A preparação envolve alunos, professores e diretores da Cemei Primeiros Passos. Sem muitos recursos, eles vão à luta. Buscam parcerias para aproximar a ficção do mundo real.
Na Emef Irma Carrit, em Lençóis Paulista, a realidade não é diferente. Localizada na Vila Cruzeiro, a escola tem dificuldade em montar as fantasias. Professores e diretores não desistem e vão buscar aquilo que falta. O importante é ativar o mundo de fantasias para os alunos que já vivem uma dura realidade, diz a diretora Eliane Maria de Oliveira.
“Grande parte dos alunos é carente. O teatro, a poesia e a literatura de modo geral ensinada na escola é uma maneira de tornar esse conhecimento, essa informação, acessível a eles. Elas têm uma dura realidade e nós ativamos nelas a questão do sonho, do final feliz. Algumas delas vieram de abrigo e foram adotadas. Outras, os pais são jovens que não têm o costume de ler para a criança. Então elas vivenciam isso na escola.”
Entusiasta da questão, Oliveira frisa que quando o projeto teve início os professores pensaram em pedir as fantasias aos pais. Mas desistiram porque eles não tinham condições financeiras para isso. “Nós fizemos as fantasias com material de baixo custo, EVA e TNT. Com isso queremos incentivar os pais dessas crianças a criarem fantasias com papelão, porque o mais importante é que eles participem dessa fase da vida dos filhos.”
O mundo da fantasia, do encantamento, faz parte do desenvolvimento da criança. “A professora Susana Paccola coloca fantasia para contar as histórias. Isso desperta a imaginação, o encantamento nas crianças. Ela se coloca no mesmo patamar das crianças. Em casa é mais difícil, porque a mãe fica ocupada com as atividades cotidianas. Outras têm mais filhos para cuidar. Isso muda a característica da aula. É um trabalho diferenciado.”
Para a diretora, o objetivo é provocar nas crianças a questão da criatividade. “Quando elas pensam na história infantil e elas mesmas criam suas personagens, estão colocando em ação a criatividade. Elas colocam a história dentro do universo dela, do cotidiano dela. Então aquilo que ela escuta em casa, traz para a sala de aula e a partir disso fazem produções escrita, desenvolvem a oralidade, a coordenação motora.”