Esportes

Vitor Hugo não é mais técnico do Noroeste

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan
Vitor Hugo foi técnico do Noroeste em 15 oportunidades

A pouco mais de 40 dias da estreia na Série A3 do Campeonato Paulista, o Noroeste está sem técnico. Vítor Hugo foi demitido, nessa segunda-feira (21) à tarde, após decisão da diretoria noroestina, que alegou como motivo para dispensá-lo o fato de mover ação trabalhista contra o clube, já executado judicialmente e que gerou pedido de penhora das contas, no valor de cerca de R$ 160 mil. Apesar disso, há ainda quem acredite, entre dirigentes noroestinos, na possibilidade de reversão do caso.

Surpreso, Vítor Hugo disse não acreditar no motivo apresentado pelo comando do Norusca para demiti-lo. “Trabalhei três vezes no Noroeste com ação judicial e agora que me dispensam. Então não é a ação. O único treinador do Brasil que cai sem jogar sou eu”, ironizou o ex-técnico, que informou que o processo judicial originou-se no ano de 1999.

Ele também se considerou  “desrespeitado” profissionalmente pela forma com que foi desligado do clube. “Pelo menos o respeito profissional deveria ter. Pelo fato de eu estar lá em Santarém (no Pará). Tive de montar apartamento, fui pra lá pra casar, tive de voltar pra trabalhar, agora já comprei minha passagem pra passar o Réveillon lá, porque nem Natal vou passar lá com a minha mulher, e comprei a passagem de volta. Só de passagem de volta eu e ela (esposa) foi R$ 3 mil. Imagina despesa que tive nisso aí tudo. Pra me dispensarem dessa maneira”, criticou Vítor Hugo.

O diretor de futebol do Noroeste, Rodrigo Gomes, o Mosca, confirmou o motivo da demissão e disse não haver outra saída ao clube. “Chegou uma ação de execução trabalhista e, como já executou, não tem mais como fazer acordo. Não tinha outra medida a ser tomada. Não temos nenhum nome em vista ainda”, destacou Mosca, que garantiu a permanência do preparador físico Diego Kamimura, do preparador de goleiros Rodolfo Romano e do fisioterapeuta César Prando.

O presidente noroestino, Emilio Brumati, seguiu a linha de raciocínio de Mosca e ainda lembrou que o fato do clube ter ingressado no Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol (Profut) foi um dos fatores que pesou na dispensa.

“Já estava estudando dispensá-lo, pois entramos no Profut, que não permite ninguém vinculado ao clube com ação trabalhista. E ele não quis abrir mão da ação”, explicou o mandatário alvirrubro, que garantiu não ter contatado nenhum outro treinador para o lugar de “Vitão”.

Reviravolta?

Estevan Pegoraro, tesoureiro do Noroeste, disse, nessa segunda, ter reunião marcada com Vítor Hugo nesta terça-feira (22) para discutir o assunto. Ele salientou ser uma situação “desagradável” e “desgastante”, mas acredita que sua demissão não é irreversível - possibilidade pouco provável. “Fomos surpreendidos com uma execução trabalhista do Vítor Hugo contra o Noroeste e caiu pedido de penhora da conta. Tínhamos acordos trabalhistas planejados pra pagar, 13º dos funcionários, INSS e tudo o mais e de repente vem bloqueio de contas do seu treinador. Fica uma situação complicada. Como vou explicar ao jogador que não vou pagar o salário dele porque caiu um bloqueio do treinador dele?”, questionou Pegoraro.

E acrescentou: “Mas não é algo irreversível e acho que a gente pode conversar e ver como que a gente chega a um acordo. O Vitão tá no direito dele e, se ele não recebeu, tem o direito de cobrar, mas fica situação complicada. Mas não tem nada resolvido e vamos sentar amanhã (hoje) pra vermos o que a gente faz.’

Assessoria e amistoso

Além de Vítor Hugo, o assessor de imprensa Luiz Malavolta Jr. também deixou o clube, no último domingo (20). O Noroeste faz amistoso nesta terça-feira (22) contra Ferroviária, às 15h30, em Araraquara, na Arena Fonte Luminosa e, na quarta-feira (23), o elenco será dispensado. A reapresentação está marcada para o dia 4 de janeiro.

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