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| Aquelas tradicionais de janeiro já dão as caras em dezembro; gerente de loja, Carla Bianca Gaudêncio faz balanço positivo |
Não tem jeito: como acontece todos os anos, muita gente deixou as compras de Natal para o último dia. Esta quinta-feira foi de centros comerciais lotados em Bauru, onde muitos consumidores gozaram de promoções e descontos especiais, antecipados por algumas lojas, de olho nos clientes mais rigorosos com o orçamento familiar.
Muitos estabelecimentos já deram início às tradicionais liquidações que costumam movimentar os meses de janeiro. A estratégia tem objetivo claro: driblar a crise e recuperar os resultados não tão satisfatórias acumulados ao longo do ano.
Carla Bianca Gaudêncio dos Santos é gerente de uma loja de roupas que está vendendo todas as peças com 50% de desconto e se engana quem pensa que o atrativo teve início só nas últimas semanas antes da festa natalina. “Fizemos o Black Novembro [em referência à Black Friday] e deu muito certo. Avaliamos que, depois da campanha, não tinha porque subirmos os preços. Essa medida poderia queimar todo o mês de dezembro. No fim das contas, deu muito certo. Os clientes já vinham direto nas nossas lojas por causa do boca a boca, de que aqui tudo estava pela metade”, conta.
O balanço prévio ante o 24 de dezembro, portanto, apontou melhora no desempenhos das vendas de Natal de 2015 em relação ao ano passado.
“É notório que vivemos uma crise, mas decidimos acreditar que iríamos bem e fomos. Esse pensamento começou lá no comando da empresa e eu repliquei essa motivação para a minha equipe. Cumprimos nossa meta”, comemora Carla.
‘ISCA’
Gerente de uma loja de lingeries, Janaína Garcia Oliveira revela que o estabelecimento decidiu oferecer descontos consideráveis em alguns produtos com o intuito de chamar a atenção dos consumidores e ganhar na venda de demais itens. “Colocamos na vitrine o preço super especial. Depois que a pessoa entra, daí nos resta fazer a nossa parte, mostrando a variedade e qualidade do que temos no estabelecimento”.
Janaína acredita que o ramo da loja também ajudou para que os resultados do fim do ano. “Poucas pessoas estavam dispostas a comprar presentes muito caros. Como não é o caso das lingeries, tivemos uma procura relativamente boa. É claro que sempre esperamos mais, mas acredito que driblamos a crise”.
APROVADA!
A estratégia de algumas lojas em antecipar as promoções de janeiro para a campanha natalina foi aprovada pelos consumidores. Sem tempo de fazer as compras com antecedência e pesquisar preços, a pintora Daiana Regina Ribeiro da Silva, 27 anos, deu prioridade aos estabelecimentos que estampavam bons descontos nas vitrines.
Com a filha Ana Alice Motta, 3, o casal Pedro Paulo Mota, 27, e Thaylice Dayane, 24, deu início à escolha dos presentes na noite do dia 23, e terminou na manhã da véspera. “Percorremos os comércios de vários bairros até decidir. O critério foi o preço mesmo. Dá para perceber a diferença, muitas vezes, sobre o mesmo produto”, conta.
Para a ceia
Para o pintor de automóveis José Benedito Caputo, 30, ir ao supermercado no dia 24 de dezembro já faz parte do ritual natalino. Ele foi um dos milhares que lotaram os estabelecimentos do ramo nesta quinta-feira. “É sempre bom comprar as coisas no dia, especialmente as frutas, que vão mais frescas para a mesa da ceia”.
Apesar das longas filas dos caixas, teve gente que se arriscou ontem até para fazer as compras do mês. É o caso da doméstica Cinira Costa da Silva, 70, que ainda arrastou para o mercado o sobrinho João Morel, 38.
“Não tive tempo para vir antes. Estou levando até feijão. Para a ceia, a maioria dos ingredientes foi comprada antes, mas faltou a ave de festa, que estou levando hoje (ontem) também”.
