O Banco Central abriu um processo administrativo para investigar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e sua esposa, Claudia Cruz, por omitirem a existência de valores não declarados no exterior. No ofício em que comunica a instauração do inquérito, o procurador diz que Cunha "cometeu reprovável subterfúgio para embaraçar as investigações", "menosprezar" o BC e aponta indícios de evasão de divisas. As informações são da revista "Época".
O processo foi aberto depois de um amplo levantamento feito pelo BC nas principais capitais do mundo. No processo, o BC pediu uma série de informações ao parlamentar e sua mulher.
No dia 3 de dezembro os advogados de Cunha disseram ao BC que não poderiam fornecer informações requeridas pelo órgão porque ele ainda não teve acesso à íntegra no inquérito que apura a origem dos recursos. No entanto, o Supremo Tribunal Federal havia autorizado Cunha a receber cópia dos autos desde o dia 21 de outubro.
Ainda de acordo com a revista, o Banco Central encontrou uma nova conta do parlamentar no exterior, desta vez no Israel Discont Bank, onde seriam depositados saldos de propinas referentes ao FI-FGTS.
À revista, Cunha disse que os fatos são protegidos por sigilo fiscal, nega ter conta em Israel e desafia "qualquer um" a provar o contrário.