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Tudo bem, no ano que vem

Zarcillo Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

O que haveria de dar errado no país, já aconteceu em 2015. Só nos resta confiar em dias melhores em 2016, mesmo porque temos o dever de sempre acreditar no futuro. Afinal, é o lugar onde pensamos passar o resto das nossas vidas. O novo ano começa melhor do que o falecido, só pelo fato do Congresso estar em recesso até o dia 2 de fevereiro. Estamos livres de escândalos e baixarias nesse interregno. A inflação já está em dois dígitos. Com toda a certeza a nova equipe econômica não vai conseguir que o INPCA chegue a 100%, em apenas 12 meses. Os juros nos Estados Unidos aumentaram e, quem tinha de levar o dinheiro para investir em papeis do Tesouro americano, já o fez. A recessão está aí. O desemprego também. O que mais pode acontecer de errado no ano que vai nascer? Impeachment de Dilma? Jamais... O relator do processo capitulou. Defende a tese de que “pedalar” não é crime, apenas um verbo que pode ser conjugado por todos - presidente, governadores e prefeitos.  Nelson Barbosa é o novo ministro da Fazenda, justamente um dos autores das pedaladas da presidente Dilma, que deixou uma conta de 57 bilhões de reais para ser paga aos bancos oficiais. Para o mercado, Barbosa não tem a menor importância. Ao formular a chamada “Nova Matriz Econômica” o ministro cometeu todas as lambanças possíveis a um amador. Se estivesse tecnicamente preparado jamais aceitaria o lugar de Joaquim Levy. Tudo leva a crer que o passado intervencionista de Barbosa vai nos possibilitar um final no próximo ano sem novidades.  Mesma  recessão, inflação e desemprego. Pior do que está não fica (Tiririca). No Horóscopo Chinês, a partir de fevereiro entraremos no ano regido pelo Macaco. Depois de pular de galho em galho e comer bananas, pagaremos o mico. Como sempre.

De uma coisa poderemos nos regozijar, com toda certeza: estamos livres da possibilidade de Michel Temer assumir o lugar da princesa Dilma, nesta versão tupiniquim de Guerra nas Estrelas. O mordomo vai sair de cena sem nunca ter entrado. A Operação Lava Jato já comprometeu o PT, o PMDB e o PP. Incluiu também o PSDB e o DEM. Todos os principais partidos nivelados na mesma lama. O Japonês da Federal pode ficar sem serviço, depois do Carnaval. Vai virar boneco gigante em Olinda, mas sem chances de desbancar o Pixuleco. 

Mesmo desconhecendo a posições dos planetas e a influência dos signos zodiacais sobre o futuro, em nível local sou capaz de fazer algumas previsões sem medo de errar. Por exemplo: haverá inundações na Avenida Nações Unidas, nos trechos conhecidos e em alguns novos, a partir da Primavera. Número de pacientes infectados pelo mosquito aedes baterá novo recorde. A zika, a chikungunya e os casos de microcefalia provocarão colapso no abastecimento de repelentes nas farmácias e supermercados. Haverá novo atraso nas obras da Estação de Tratamento de Esgoto. A empreiteira pedirá aditivo contratual alegando a necessidade de obras complementares. Metade da cidade ficará sem água por causa do baixo nível do Batalha.

O preço da comida está bastante alto, mas vamos aprender a cozinhar gastando pouco. Vem aí o MasterChef da Band, com seis meses de duração; o SBT vai armar uma competição só para churrasqueiros e a Record cuidará da sobremesa, com a Batalha dos Confeiteiros. Ana Maria Braga demonstrará que talo de cenoura dá um excelente recheio de torta salgada. A parte menos apetitosa da previsão: aquele distrito de Mariana continuará na lama. Dilma se vestirá de branco no réveillon em homenagem à paz, e de amarelo em algum lugar oculto, para dignificar o dinheiro. A cor da alma continuará a mesma. Essa não dá para modificar.

A redenção do annus horribilis de 2015 aumenta em muito a sua chance de dias melhores, com a decretação do Ano Santo da Misericórdia, pelo papa Francisco. De qualquer forma, sinto-me garantido pelo céu. Segundo os astrólogos, o planeta Júpiter penetra (wow!) em Virgem, que é o meu signo. Como sou do segundo decanato, Júpiter vai me dar toda a coragem para chutar o pau da barraca.

O autor é jornalista e articulista do JC.

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