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| Daniel alerta que perigo não é só com dengue: “Não estamos livres do chikungunya e zika em 2016” |
Por mais que medidas de prevenção e de higiene sejam insistentemente divulgadas, o nível de infestação por larvas do mosquito Aedes aegypti continua elevado nas residências de Bauru. Em 41 bairros da cidade, o índice é superior a 4%, considerado de risco de surto de dengue, classificada como a condição mais crítica pelo Ministério da Saúde.
Para se ter uma ideia da gravidade do risco a que esta população está submetida, vale lembrar que o limite máximo preconizado pelo Ministério da Saúde é de apenas 1%.
A realidade preocupante foi divulgada nessa segunda-feira (28) pela Divisão de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde. Os números constam do Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (Liraa), realizado na primeira quinzena de outubro deste ano em 6.159 imóveis da cidade.
Entre as regiões com maior nível de proliferação de larvas, com criadouros em 4,2% a 5,9% das casas visitadas, estão bairros populosos como o Núcleo Mary Dota, Bela Vista e Octávio Rasi, bem como zonas nobres da cidade, como a que abrange o Jardim Estoril e os residenciais Villaggio e Lago Sul (veja quadro no final).
Segundo o diretor da Divisão de Vigilância Ambiental, Daniel Godoy Tarcinalli, o estudo demonstrou que, independentemente da classe social, faltam ações dentro das residências para conter o avanço do Aedes, transmissor não apenas da dengue, mas também da febre amarela e das recém-chegadas ao País febre chikungunya e zika vírus. “Já temos casos de chikungunya e zika no Estado de São Paulo e, nesta época do ano, em que as pessoas viajam, o vírus tende a circular com maior facilidade de uma região para outra. Não estamos livres destas doenças em 2016, em Bauru”, alerta.
Nas regiões que englobam o Mary Dota, Bela Vista e Octávio Rasi, os criadouros foram encontrados principalmente em pneus e materiais recicláveis - como garrafas, latas e recipientes plásticos – depositados nos quintais dos imóveis. Já nas áreas com moradores de maior poder aquisitivo, o problema foi detectado em plantas (especialmente bromélias), piscinas e aparelhos de ar condicionado.
Risco
De todas as regiões estudadas durante o Liraa, a única que ficou dentro do limite estabelecido pelo Ministério da Saúde, com 0,5%, foi a abrangida pelo Nobuji Nagasawa, Jardim Ivone, Silvestre, Pagani, Flórida, Araruna, Beija-Flor e Santa Luzia. Porém, não se pode relaxar.
“Essa região, contudo, continua sujeita à transmissão do vírus, já que, historicamente, as áreas mais afetadas não são necessariamente as que possuem menos focos, mas sim nas que há menos pessoas imunes à dengue”, aponta Tarcinalli, salientando que o sorotipo 1 é o único circulante na cidade no momento e que, portanto, são imunes à doença as que já contraíram este tipo de dengue.
Na média geral, o Liraa demonstrou que 3,3% das casas visitadas em Bauru apresentavam focos de reprodução do mosquito. O nível é considerado de alerta e duas vezes maior do que o registrado no ano passado, de 1,9%, também classificado como índice de alerta. “Mas é importante destacar que o Liraa é realizado em outubro, antes do início das chuvas. Agora, é possível que a presença de larvas seja ainda maior”, conclui.
Epidemia
Embora Bauru ainda não tenha registro de casos de zika vírus e febre chikungunya, o ano de 2015 foi responsável pelo recorde histórico de casos de dengue na cidade. Ao todo, foram seis mortes e 8.522 pessoas infectadas – média de uma notificação para cada 43 habitantes. A possibilidade de nova epidemia se repetir em 2016 não é descartada pela Secretaria Municipal de Saúde.
Vacina
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da primeira vacina contra a dengue no Brasil: a Dengvaxia, da francesa Sanofi Pasteur. A vacina é considerada eficaz na prevenção dos quatro tipos de dengue e poderá ser aplicada em pessoas de 9 a 45 anos, segundo comunicado divulgado ontem pelo laboratório.
Não há previsão, contudo, para disponibilização das doses no mercado. Outro alerta é que a vacina não protege contra a febre chikungunya e o zika vírus, que podem provocar consequências bastante graves. “As ações de prevenção contra o Aedes, portanto, precisam continuar sendo realizadas por cada morador dentro de suas residências”, destaca Daniel Tarcinalli.
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