Cultura

Geraldo Roca morre em Campo Grande aos 57 anos

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Reprodução/Internet
Geraldo Roca em três de seus quatro discos autorais: um inédito, com Renato Teixeira, deve ser lançado em 2016 com regravação do “Trem...”

“Trem do Pantanal”, a música de 1975, perdeu um de seus mais ilustres passageiros: Geraldo Roca, 57 anos, autor da letra, cometeu suicídio com tiro na cabeça em Campo Grande. As motivações são investigadas.

 
Ele deixa mulher, dois filhos e uma série de contribuições para músicas regionais. Nenhuma, contudo, chegou perto do trem que ganhou incontáveis versões (quem nunca ouviu a canção com Almir Sater e Renato Teixeira?) e se tornou hino informal daquele Estado.

Tudo a partir da canção que Roca criou com o parceiro Paulinho Simões, amigo dos tempos de  adolescente, numa das cabines do icônico trem que saía de Bauru. Ao site “Campo Grande News”, que acompanhou o espanto causado pela morte, ocorrida na sexta-feira, e a comoção da despedida, Simões disse: “Só vou ter noção desse transatlântico que me atingiu um tempo depois”.

Ele e Roca seguiam rumo a Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, quando a música foi composta ao violão em pouco mais de meia hora. “A música nunca escolheu essa repercussão, essa repercussão que escolheu a música”, afirmou Roca ao Campo Grande News em 2012.

“Tem muita gente que admira a música como uma elegia ao Pantanal. Na verdade, é a uma canção de um proscrito, que está fugindo de uma ditadura. Não tem ninguém olhando para as estrelas’, explicou Roca em 2007 ao site Overmundo.

Roca deixou músicas gravadas com Renato Teixeira e o material, que inclui regravação do “Trem do Pantanal” na qual Roca divide vocal com Renato, deve ser lançado em 2016.

Breve histórico

Parte integrante da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), a linha consistia em saída de Bauru, passagem pela capital Campo Grande, parada em Corumbá (já na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia) e ponto final em Santa Cruz de La Sierra (Bolívia).

Inaugurada em 1914, a linha do “trem pantaneiro” funcionou até 13 de janeiro de 1993. Em 1998, a Ferroban assumiu a malha paulista. Em 2001 circulou o último trem de passageiros a partir de Bauru e, em 2006, a América Latina Logística (ALL) passou a tomar conta das ferrovias.

Em 2009 houve uma retomada de parte do trem do pantanal como passeio turístico a partir de Campo Grande, mas em abril de 2015 também esse serviço foi suspenso.

A famosa letra

Enquanto este velho trem
atravessa o Pantanal
As estrelas do Cruzeiro fazem um sinal
De que este é o melhor caminho
Pra quem é como eu
mais um fugitivo da guerra

Enquanto este velho trem
atravessa o Pantanal
O povo lá em casa espera
que eu mande um postal
Dizendo que eu estou muito bem e vindo
Rumo a Santa Cruz de La Sierra

Enquanto este velho trem
atravessa o Pantanal
Só meu coração está batendo desigual
ele agora sabe que o medo viaja também
sobre todos os trilhos da terra

Enquanto este velho trem
atravessa o Pantanal
Só meu coração está batendo desigual
ele agora sabe que o medo viaja também
sobre todos os trilhos da terra

Rumo a Santa Cruz de La Sierra sobre todos os trilhos da terra.

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