Polícia

Médicas da UPA Mary Dota têm os carimbos falsificados

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Alex Mita
No atestado com carimbo e assinatura falsos da clínica geral Claudia Rodrigues Carvalho Melrinho, o número da Classificação Internacional de Doenças (CID) sequer existe

Tem gente que quer uma folga a mais entre Natal e Ano Novo e está cometendo até crime para isso. Duas médicas da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Mary Dota tiveram seus carimbos falsificados em dois atestados e vão levar o caso até a polícia. Inclusive, em um dos documentos, que determinava o afastamento por 14 dias, a identificação da doença sequer existia.

Segundo a clínica geral Alana Trabulsi Burgo, é a primeira vez que ela passa por essa situação. Nessa terça-feira (29), o responsável por uma empresa suspeitou de um atestado de dois dias, por infecção intestinal, de uma funcionária e a procurou. No documento, havia dois carimbos: o do Pronto-Socorro Central (PSC) e o da UPA do Mary Dota. “Isso não existe”, acrescenta a profissional.

Nesse último carimbo, constava o nome e o número do Conselho Regional de Medicina (CRM) de Alana. Contudo, o carimbo e a assinatura eram diferentes dos originais. Todavia, o que mais chamou a atenção da médica foi que o papel parecia pertencer, de fato, ao bloco de atestados utilizado pelas unidades de saúde do município.

A médica revela ainda que, conforme informações do responsável pela empresa, havia, pelo menos, outros dez atestados semelhantes. “Se a pessoa clonou meu carimbo, poderia também inseri-lo em receitas médicas. O uso de qualquer medicamento sem prescrição poderia causar diversos problemas aos pacientes”, observa.

Outro caso

Já a médica Claudia Rodrigues Carvalho Melrinho afirma que não é a primeira vez que passa por essa situação. Recentemente, o responsável por uma empresa de limpeza a procurou para questioná-la acerca de um atestado de duas semanas, contadas a partir do dia 3 deste mês, cuja identificação da doença sequer existia.

O documento estava com o carimbo da UPA do Ipiranga, onde Claudia também presta serviço. Embora o número do CRM estivesse correto, seu carimbo e assinatura foram adulterados. “Eu nunca emiti um atestado de duas semanas e a letra do documento é completamente diferente da minha”, denuncia.

João Rosan/JC Imagens
Ricardo Martines afirma que é preciso investigar para se chegar a uma conclusão

Em nota emitida pela assessoria de imprensa, a Prefeitura de Bauru, através da Secretaria Municipal de Saúde, esclarece que, até o final da tarde dessa terça, a pasta não havia sido comunicada oficialmente sobre o assunto.

Documento falso ou falsidade ideológica

Segundo o titular da Delegacia Seccional de Bauru, Ricardo Martines, caso as médicas ou as empresas procurem a polícia, os autores, ou seja, os falsos pacientes, poderão responder por uso de documento falso ou falsidade ideológica, se o documento for verdadeiro, mas seu conteúdo tiver sido adulterado. “Contudo, cabe investigação para se chegar a uma conclusão”, explica o delegado.

Em relação às penas, o uso de documento falso prevê reclusão de 1 a 5 anos, se estiver relacionado ao setor público, como ocorreu com os atestados médicos. Já o crime de falsificação ideológica prevê reclusão de 2 a 6 anos, se também estiver relacionado ao poder público.

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