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Se fizer as mesmas coisas, colherá os mesmos resultados!

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Esta frase de James Hunter em ‘O Monge e o Executivo’ retrata o panorama da economia brasileira para 2016. Alguns indicadores: inflação bem acima da meta máxima que seria de 6,5%, ficando acima de 10% neste ano; queda no Produto Interno Bruto na ordem de 3,5%; desemprego em alta; rombo nas contas públicas na ordem de R$ 120 bilhões; relação dívida/PIB na casa dos 68%, entre outros importantes parâmetros econômicos.


Se a opção para 2016 for o chamado “mais do mesmo”, não nos levará a lugar algum. Observo com atentamente as manifestações dos que ainda defendem o possível bem-estar da população a custa do Estado. Isso tem prazo de validade e este venceu. Imaginar que a economia se sustenta com pedaladas, com manobras contábeis, com ilusão de que o endividamento das famílias não tem limite e que o Estado tudo pode, é no mínimo ingenuidade. É o momento de mudanças, para melhor. Não há mais espaço para aceitar o razoável, a mesmice, queremos avanços.


A população já deu seu recado nas ruas e aqueles que pensam que isso é ser golpista eu penso diferente: é exercício de cidadania. Quando alguns argumentam que os gastos públicos foram necessários para cumprir programas sociais, este argumento caiu por terra à medida que os gastos excessivos em outras áreas é que provocaram a falta de recursos para honrar os programas sociais. Isso é matemático, ou seja, tem que economizar em uma área para poder gastar em outra.


Na prática estamos falando de levar milhões de brasileiros a dar um passo atrás. As estimativas apontam que em três anos mais de 10 milhões de brasileiros sairão da classe C e voltarão para as classes D e E. É perda efetiva de qualidade de vida. Isso fala por si só. Estamos falando do crescimento da informalidade. Estamos falando do crescimento do desemprego. Estamos falando de perda de poder aquisitivo. Estamos falando de perda de controle sobre os preços. Estamos falando de carestia. Estamos falando do encolhimento do setor privado.


Estamos, na média, mais pobres. Insisto: este modelo não pode ser reproduzido. É preciso um choque de gestão no setor público. É preciso atacar a causa da corrupção. É preciso exigir dos políticos eleitos pelo povo que sejam éticos, que tenham espírito coletivo, que seus interesses pessoais estejam em plano secundário. O país perdeu a mão. O país se deixou levar pela desordem e os conchavos falam mais alto. É hora de exigir mudanças.


Queremos um país para sentir orgulho. Queremos um país que garanta qualidade de vida aos seus, mas com responsabilidade. Queremos que as oportunidades sejam idênticas para todos. Queremos acima de tudo justiça social. Não há espaço para oportunistas e não podemos e não devemos perder a capacidade de nos indignarmos. Não podemos nos deixar levar pela desesperança, pelo não mais acreditar no potencial do mercado e diria mais, não deixar de acreditar da nação brasileira.


Sabemos que o momento é de superação, de fazer mais com menos, de sermos estrategistas, mas também sabemos que é momento de o setor público dar exemplo. Se continuarmos fazendo as mesmas coisas, colheremos os mesmos resultados. Considerando que os atuais resultados contentam somente uma minoria, o indicativo é fazer diferente para colher diferente. Que 2016 seja um ano diferente, para melhor! Mas para isso acontecer dependerá, e muito, do engajamento de cada um de nós. É o momento de sair da zona de conforto e fazer a diferença!


O autor é economista e articulista do JC

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