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| Foto alternativa da travessia em famosa faixa que, de outro ângulo, viraria capa do último disco gravado pelos Beatles: Abbey Road |
O mundo cantou – e ainda canta: tudo o que precisamos é amor. “All you need is love”, diziam Paul McCartney e John Lennon, desde junho de 1967, quando a canção homônima foi lançada. O fim da parceria do quarteto mais famoso da Inglaterra, formada ainda por George Harrison e Ringo Starr, contudo, não foi marcado pela mensagem amorosa.
Pelo contrário. A partir de 31 de dezembro de 1970, há exatos 45 anos, era iniciada uma batalha judicial entre Paul e o restante do Fab Four, encerrada apenas em 1975.
Em abril daquele ano, Paul e o restante do grupo já haviam comunicado o fim o sonho beatlemaníaco. Fãs que acompanharam a trajetória da banda ao longo da década de 1960 perceberam que, com a chegada de 1970, vinha também a ausência da maior banda do mundo. Yoko Ono, o empresário Allan Klein, brigas internas, falta de transparência nas contas auditadas da Apple, empresa criada pelo quarteto, foram as principais razões.
Ainda em abril, McCartney havia colocado ponto final na relação com o restante dos Beatles em uma autoentrevista divulgada juntamente com seu primeiro trabalho solo, intitulado apenas com o seu sobrenome. Não respondia, contudo, se era uma decisão definitiva.
No último dia de 1970, o baixista e compositor de Liverpool assinou a ação judicial contra os três integrantes dos Beatles e deu entrada na papelada na High Court, em Londres mesmo.
Os documentos que integram aquele processo, atualmente, são guardados no Arquivo Nacional da Inglaterra, uma hora de distância de Londres, ao lado de outros arquivos que marcaram a história do Reino Unido.
O processo de Macca é depositado ali ao lado de outros papéis com mais de mil anos de idade. Isso evidencia como, em pouco menos de uma década, o legado do quarteto é relevante.
Noites de dias difíceis
As diferenças entre os quatro Beatles já beiravam o insuportável no fim daquela década. Tensões artísticas, pessoais, nada ia bem entre Paul, George, Ringo e John. Abbey Road, disco de 1969, já foi gravado entre faíscas.
Cronologicamente, o último álbum do grupo a ser lançado, Let It Be, nas prateleiras apenas após o encerramento das atividades do quarteto, foi gravado antes do trabalho anterior, mas seu lançamento também funcionou como fator determinante para o fim, assim como a atuação do então empresário da banda, Allen Klein, para com quem Macca tinha pouquíssimo apreço.
Idas e vindas
Klein, segundo detalhes dos arquivos do processo movido por McCartney revelados pela revista norte-americana Rolling Stone, havia usado sua influência na gravadora EMI, esta responsável por lançar os álbuns dos Beatles, para que adiassem a data de chegada às lojas do primeiro álbum solo do baixista, então marcada para 17 de abril de 1970, com a justificativa de que Let It Be também seria lançado naquele mês, assim como o disco Sentimental Journey, de Ringo.
Executivos do selo entenderam que o turbilhão de trabalhos relacionados ao Fab Four enfraqueceria a venda e concordou com o pedido.
McCartney foi avisado da decisão por uma carta de Lennon e Harrison, na qual eles diziam se tratar de uma escolha de negócios, “nada pessoal”. Starr foi até a casa do baixista entregar o documento. Macca o leu, gritou com o companheiro de banda e o enxotou de sua mansão, segundo relatos. Dali em diante, era questão de tempo até o sonho acabar.
‘Venha junto’
Um presente de fim de ano antecipado para todos os fãs de carteirinha dos Beatles foi o fato de o acervo musical do quarteto de Liverpool finalmente estar disponível nos serviços de streaming. Deezer, Apple Music, Google Play, Microsoft Groove, Napster/Rhapsody, Amazon Prime Music, Slacker Radio, Spotify e Tidal desde quinta, 24-12. São os hits de 13 álbuns da banda britânica num total de 224 músicas. A mais ouvida nesses serviços, até agora, foi “Come Together” (“Venha Junto”).
