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'O ano em que meu País saiu de férias!'

Sinuhe Daniel Preto
| Tempo de leitura: 3 min

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias um filme de um drama brasileiro de 2006, dirigido por Cao Hamburger, que também escreveu seu roteiro com Adriana Falcão, Claudio Galperin, Bráulio Mantovani e Anna Muylaert. É estrelado por Michel Joelsas, Germano Haiut, Daniela Piepszyk, Caio Blat e Paulo Autran.


Você já viu esse filme? É maravilhoso e foi indicado ao Oscar de 2008 como melhor filme estrangeiro, superando Tropa de Elite, de José Padilha. A película narra a história de Mauro, que tem doze anos em 1970 e que vai passar as férias na casa do avô, pois seus pais são perseguidos pela ditadura militar. A “indesejada das gentes” leva o avô de Mauro, que passa a viver com seu vizinho Shlomo, um judeu solitário. O menino vive uma vida antitética, triste com sua nova realidade e feliz com o desempenho da Seleção Brasileira na Copa do México.


Férias? Copa? Ditadura? Democracia? Isto ainda é o Brasil? Sim, há quinhentos e dezesseis anos vivemos nesta Pindorama Macunaímica a mesma situação! Em que ano estamos? Nosso Brasil existe, mesmo? Não nos lembra a Utopia, de Thomas Morus? Há um lugar? Creio que sim, pois repartimos algo, dividimos igualmente o egoísmo!


Estamos na mesma, à deriva dos aumentos, dos desafios que nos impõem, porque nada se propõe! O Real é real? Em pouco mais de vinte anos, houve uma desvalorização de 77,65%, sim, cem reais valem hoje R$ 22,35!


Agora, em que ano estamos, mesmo? Não está a passar rápido? Mas o que fazemos para mudar? Contemplamos uma briga interminável entre “Coxinhas” e “Petistas”, tornamos os homens públicos que não são do público famosos e indecorosos! Sempre houve “Lava-Jatos”, a corrupção parece impregnada desde os tempos de “Em se plantando tudo dá!”


Desejam-se as mortes de Lula, Dilma, de quem tudo é a culpa, o que fizeram os anteriores? Xinga-se a quatro cantos, choveu? Culpa da Dilma! Presidenta infeliz? Sim! Compactua com os erros? Sim! No entanto, quem a colocou lá não foi a democracia? Colocamos também Cunhas, Calheiros, Collors, Tiriricas, Cerverós, Alckmins, Bolsonaros, Sarneys, Malufs, enfim, nunca devotamos, nunca votamos, fizemos escolhas simpáticas que se tornaram hepáticas! Há saída? Quiçá, o aeroporto!


Nélson Rodrigues vociferou: “O brasileiro é um feriado”, sim, mestre de “A Pátria de chuteiras”, um feriado prolongado com direito a tanque cheio do combustível mais caro, dos pedágios mais ágios, das praias mais sujas, dos hospitais sem médicos, dos trabalhadores mais usurpados, das escolas de esmolas, o brasileiro é um feriado que diz somente sim a tudo e a todos “verás que um filho teu não foge à usura”.


Manifestações? Válidas, mas o que se manifesta dentro de nós? Revolução? alguém revoluciona e soluciona? Greve? Até breve, até uma nova promessa de remessa de quem rouba, esta, aquela e essa!


É proibido estacionar, pois já existem cinco carros na garagem com gasolina de melhor espécie, pois a diarista está cara! Proibido falar ao celular, a não ser que seja o da “maçã”, aí você é sociável, estável, “Não converse com o motorista”, pois ele pode lhe contar que há mais de quinhentos anos estamos “Sob nova direção”. “Não converse com o vigilante”, pois ele pode lhe contar o que os bancos fazem! Não converse com o frentista, pois ele pode lhe falar o que há por trás do homem-bomba! Não converse com o farmacêutico, pois ele lhe contará que Narcos com Pablo Escobar de José Padilha é “fichinha” diante do mundo das drogas dos laboratórios!


Você ainda é brasileiro? Não desiste nunca? Tem certeza? Ainda chama a Pátria Amada de Mãe Gentil, e a mão que balança o berço esplêndido é a mesma ‘que toca um violão e se for preciso faz a guerra’?


“Apesar de você, de mim, de nós, deles, que o País volte das férias, enquanto isso: “ACORDEM e PROGRESSO! “Feliz, se possível, 2016!


O autor é professor e colaborador de Opinião

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