| Fotos: Agência Brasil |
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| Dilma Rousseff entra o ano buscando reagrupar suas forças parlamentares e evitar a abertura do processo de impeachment |
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| Eduardo Cunha tenta salvar sua pele e evitar ser afastado do cargo e do mandato |
Transposto o portal imaginário que separa 2015 de 2016, o que o Brasil pode esperar após seu ‘annus horribilis’ mais agudo em uma geração?
Futurologia política é ofício arriscado, e o ano que passou provou isso. Assim, fazendo ‘hedge’ sobre o imponderável, é possível dizer que 2016 só começará de fato quando estiver resolvido o óbice à normalidade do país: os destinos de Dilma Rousseff e de Eduardo Cunha.
A presidente e o peemedebista que lidera a Câmara continuarão nas manchetes, em queda num precipício pessoal e institucional.
O deputado fluminense busca salvar sua pele e evitar ser afastado do cargo e do mandato – neste caso, ato contínuo, perderia a imunidade e correria o risco de ser preso no escopo da Lava Jato.
Mais importante, a petista entra o ano buscando reagrupar suas forças parlamentares e evitar a abertura do processo de impeachment. O jogo foi paralisado pela decisão do Supremo Tribunal Federal favorável ao governo na definição do seu rito, mas o tempo corre contra Dilma. Ela sabe que, uma vez instaurado o julgamento, é virtualmente impossível para a presidente afastada voltar ao cargo.
Com isso, assume Michel Temer, o peemedebista que saiu das sombras. A composição de seu eventual governo varia em torno de uma coalizão PMDB-PSDB que depende de interesses díspares de caciques tucanos para estabelecer sua solidez.
O papel da Lava Jato é central, dado que as ações do fim do ano miraram graúdos do PMDB. O partido, que sempre foi fracionado, pode herdar o poder sob risco de implodir. O trabalho de policiais, procuradores e juízes, aliás, alterou todo o panorama.
A corrupção é uma hidra criativa, sempre pronta a gerar novas cabeças, mas a verdade é que qualquer empresário ou ‘autoridade’ pensará duas vezes no ‘japonês da Federal’ antes de praticar ilícitos. Novos lances são certos, em especial de delações ainda pouco conhecidas.
Se Dilma sobreviver enfraquecida ao impedimento, o Tribunal Superior Eleitoral não cassar a chapa eleita em 2014 e a Lava Jato não chegar à sua sala, o PMDB tende a afastar-se do Planalto de todo modo, visando a eleição municipal de outubro.
O cenário com a presidente exaurida na cadeira é tão complexo quanto o de sua saída. Com o anunciado fim da era Joaquim Levy na Fazenda, inflexões populistas à esquerda com efeitos ainda mais deletérios na economia não são improváveis – restará saber de onde tirar o dinheiro.
O agravamento da crise econômica, que vai ocorrer de qualquer forma, poderá levantar as ruas contra Dilma.
A capacidade de mobilização dos seus apoiadores também será testada, em especial os ‘exércitos’ de movimentos sociais e sindicatos abastecidos com verbas públicas.
Os olhos deles se voltarão então para Luiz Inácio Lula da Silva, último presidenciável do PT e que mantém apoio discreto a sua ex-pupila até aqui, até por estar ocupado pelo noticiário policial.
Todo esse enredo não inspira muita esperança no fim do filme. Mas é o que temos e, citando ‘Ricardo 3º’, é ela que faz de reis, deuses, e reis de criaturas menores. A emoção está garantida.
| Para não esquecer US$ 5 milhões É o valor da propina que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, teria recebido em contratos de navios-sondas, segundo delatores V.Ex.ª está preso As várias fases da operação Lava Jato atingiram políticos e empresários Nestor Cerveró O ex-diretor da Petrobras foi preso em janeiro e, dez meses depois, fez um acordo de delação José Dirceu O ex-ministro foi detido em agosto; ele já cumpria pena em regime aberto pelo mensalão João Vaccari O tesoureiro do PT foi preso em abril e pegou 15 anos de prisão por participar de esquema Marcelo Odebrecht Acusado de formação de cartel, o dono da maior empreiteira do país foi para a prisão em junho José Bumlai Amigo de Lula, foi preso em novembro acusado de participar de fraudes para ajudar o PT Delcídio do Amaral O senador do PT teve prisão decretada pelo STF em novembro por propor a fuga de Cerveró André Esteves O sócio do BTG Pactual também foi preso por conspiração no caso de Cerveró Otávio Azevedo O presidente da Andrade Gutierrez foi preso em junho por participar do cartel |

