| Fotos: Divulgação |
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| Vladimir Poppoff em frente a um grupo de soldados do exército russo, durante passeio |
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| Os primos russos Ivan e Ana Poppoff, no encontro com os irmãos Pedro e Vladimir, além do sobrinho João Vitor, na Praça Vermelha |
Um percurso cansativo, do “outro lado do mundo”, onde a temperatura mais “agradável” foi quatro graus negativos, mas com todos os ingredientes de calor humano e de forte emoção. Foi assim que o ex-chefe da oficina mecânica da extinta ECCBB em Bauru, empresa de coletivos, fez a viagem de sua vida. Na companhia do irmão Pedro, Vladimir Poppoff esteve em Moscou, em meados de dezembro passado, para conhecer parentes.
Chegou lá após ser localizado em um programa via Internet de busca de familiares de russos que deixaram o País ao longo dos tempos. Com know how de 20 anos no ar, o maior canal estatal russo de televisão, o Perviy (Primeiro Canal), convidou Poppoff e seu irmão Pedro, de Londrina (PR), a participarem do encontro com familiares na capital russa. Vladimir, nascido na Índia em razão da fuga dos pais, no início da década de 30, recebeu a proposta em razão de uma matéria do Jornal da Cidade que contou a saga da família.
“Olhar fotos e vídeos pela Internet do país, da terra onde seus pais nasceram, é uma emoção. Mas ter a sensação de sentir isso com a atmosfera do local, ao vivo, emociona muito mais. Parece que você está revivendo um pedaço daquilo que sua família viveu. Senti a pátria dos meus pais nos pés. Isso é muito forte. Apesar do cansaço e da longa viagem, foi maravilhoso”, conta Poppoff.
Ele foi contatado pela TV russa por intermédio de uma tradutora. “Foi tudo muito rápido. Eu saí no Jornal da Cidade contando a história da fuga de meus pais de Malechef Log para o Afeganistão e depois para a Índia, até, em 1934, pegarem um navio em Marselha (França) para virem para o novo mundo, um pedaço de terra no Norte do Paraná (hoje Londrina). Pouco tempo depois, a TV russa me contatou e falou que queria que eu e meu irmão Pedro fôssemos lá conhecer Moscou”, menciona.
Ao chegarem, em meados do mês passado, Vladimir conta que foi levado, no dia seguinte, para o estúdio da TV russa. “Lá conhecemos minha prima de segundo grau Ana Tchepov, sobrinha de minha mãe Zinaída, e Ivan Poppoff, primo de primeiro grau, filho do irmão de meu pai Dimitri, o Iakov. O Ivan se inscreveu no programa de busca. Mas não fosse a matéria no Jornal da Cidade, em julho deste ano, jamais este encontro teria sido realizado”, informa.
Ele e o irmão Pedro foram levados para um auditório. “Um estúdio gigante, com centenas de pessoas na plateia. O programa ia chamando os convidados localizados pelo mundo e apresentando aos parentes. No ar, no estúdio, eles recontaram nossa trajetória com um documentário de uns 20 minutos. Mostraram imagens de Bauru, documentos nossos, nossos depoimentos e também imagens do pequeno vilarejo onde meus pais nasceram, em Malechef Log, na Sibéria. Não dá para descrever essa emoção”, completa.
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Matéria do Jornal Cidade reporta a fuga de família da Sibéria e vira documentário no canal de TV mais assistido da Rússia, o Perviy
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Segundo a direção do canal Perviy, a audiência do programa é de até 80 milhões de telespectadores. Atualmente, o programa Jdi Menia virou um projeto social de grande escala dedicado à busca de pessoas desaparecidas. O programa conta com a colaboração de mais de 500 voluntários da Rússia, Comunidade dos Países Independentes (CEI) e outros países. Durante muitos anos, o programa coopera com o Departamento de Investigação Criminal do Ministério do Interior da Federação da Rússia. A partir de 2009, o Jdi Menia passa a ser transmitido no formato internacional.
“Linda”
Poppoff teve de cumprir a agenda da TV russa, responsável pelo programa de auditório que já celebra 20 anos. A agenda lhe permitiu pouco tempo para conhecer Moscou. “Mas o suficiente para confirmar que Moscou é linda. É de impressionar”, define. O destaque, segundo ele, é para a grandiosidade de bosques e praças encravados no meio urbano.
“No Brasil nós temos muito poucos parques nas cidades e por isso as pessoas convivem pouco com o local onde moram. Lá tem praças gigantes, com obras de arte ao ar livre, muito verde, muito espaço. E tudo muito bem cuidado. Claro que eu fui no meio da neve. Mas é tudo um capricho”, comenta. Outro elemento que saltou aos seus olhos: “Todas as áreas de parque contam com lago, opções de lazer. Por isso o povo vai às ruas e se encontra nessas áreas. Foi uma viagem maravilhosa, inesquecível, algo que jamais imaginei que fosse viver. Um presente de Natal que eu e meu irmão nunca vamos esquecer”, finalizou.

