| João Rosan |
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| Lúcia recebe a nora Johanna Ruth Ramalho e o filho Evandro |
| GX/International/Divulgação |
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| Evandro Eduardo Ramalho: “Bauru me ensinou a lutar pelos meus ideais” |
Embora seja bastante parecido com o pagodeiro Thiaguinho, o que mexe com o dançarino Evandro Eduardo Ramalho, 25 anos, é o hip hop. Tanto que ele deixou a família em Bauru para se dedicar ao gênero musical e, atualmente, vive no Canadá, onde concilia o trabalho de pintor com o break dance. Mesmo tão distante, o dançarino não se esquece de suas origens na Cidade Sem Limites, onde teve seu primeiro contato com o ritmo.
Evandro relata que nasceu em Marília (100 quilômetros de Bauru), mas se considera bauruense, porque sua família veio para a cidade quando ele tinha apenas 5 anos. Inclusive, o dançarino relembra com carinho dos quatro bairros onde morou: a Vila Nipônica, a Vila Alto Paraíso, a Vila Falcão e, por fim, a Vila Industrial. E foi justamente o Parque Vitória Régia, cartão posta da cidade, que lhe proporcionou o primeiro contato com o hip hop, em um show. Na época, ele tinha 10 anos.
Depois de assistir à apresentação, Evandro procurou saber como se familiarizar melhor com o gênero musical e descobriu um grupo que atuava no programa Escola da Família. “Em uma dessas apresentações, conheci um grupo de missionários, cuja sede é em Curitiba e contava com integrantes brasileiros, americanos, alemães e holandeses”, explica. Em 2012, o dançarino foi convidado a fazer parte da iniciativa, que mescla hip hop com religião.
Na ocasião, Evandro se viu diante de uma difícil decisão a ser tomada. Ele também havia sido aprovado no curso de letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Eu queria, na verdade, fazer arquitetura na Unesp de Bauru, mas não fui aprovado. Portanto, decidi participar do grupo de missionários”, acrescenta. Lá, ele conheceu sua esposa, a escocesa Johanna Ruth Ramalho, 29 anos, que também dança hip hop.
Pelo mundo
Depois que Evandro foi embora para Curitiba, em 2013, as portas começaram se abrir. Como o grupo de missionários contava com integrantes estrangeiros, ele conseguiu aperfeiçoar seu inglês. “Eu fiquei seis meses em Curitiba, depois passei um mês em São Paulo e outro no Rio de Janeiro. Levávamos religião, através da cultura do hip hop, até as comunidades carentes dessas cidades”, revela.
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Você sabia?
O hip hop foi estabelecido no Canadá só na década de 80 e se manteve como um fenômeno “underground” até o início de 2000. O primeiro single canadense de rap, conhecido até então, é o “Singing Fools”, lançado em 1982. Os principais rappers do país são Manafest, Scott Storch e Dan “DFS” Johnson.
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Ainda em 2013, Evandro se mudou com a esposa para a Espanha e lá ficou por um ano, enquanto o casal planejava morar no Canadá para participar de outro grupo de missionários que também dissemina o hip hop. No ano seguinte, Evandro e Johanna concretizaram seus planos e foram acolhidos por uma família canadense. Atualmente, o casal mora sozinho em uma casa alugada.
Ela é gerente de um restaurante e ele, pintor. Mesmo com o trabalho, os dois não abriram mão de fazer o que mais gostam: dançar. Nas últimas semanas, contudo, o casal teve de dar uma pausa com o hip hop, porque veio visitar a mãe de Evandro, Lúcia Helena, em Bauru. “Essa cidade me ensinou a lutar pelos meus ideais”, observa o rapaz. E ensinou bem, porque o dançarino, finalmente, conciliará o hip hop com o curso de arquitetura que sempre quis fazer, mas agora no Canadá.

