Esportes

Eronides, ex-jogadora da seleção, dá aulas para alunos

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Eronides Ana da Cruz, ou a professora Erô, com os seus alunos na escola estadual

Aprender com um verdadeiro mestre naquilo que ensina é um privilégio. É justamente essa honra que os alunos de algumas escolas da rede pública de Bauru têm nas aulas de educação física. Entre eles, os integrantes do 5º ano B da Escola Estadual Mercedes Paz Bueno, que encontraram em Eronides Ana da Cruz, ou simplesmente Erô, como a professora é carinhosamente chamada, uma verdadeira expert em esportes, sobretudo no basquete, onde foi craque de bola nas recentes décadas, com passagens recheadas de títulos por clubes e defendendo a seleção brasileira.

Com larga experiência, aliada à formação em educação física, Eronides ensina diariamente com propriedade o que aprendeu na prática e teoria. Apesar do histórico vitorioso no basquete, o trabalho de Eronides como professora é multidisciplinar e as aulas englobam vários modalidades, como atletismo, futsal, vôlei, além, é claro, de basquete. A opção de ensinar está também relacionada a valores do esporte que extrapolam as partes técnica e tática. “Penso bastante também na formação do cidadão”, declara.

A relação de Eronides com o ensino teve início antes mesmo da aposentadoria das quadras em jogos oficiais. Ainda jogadora decidiu dividir as funções de atleta e professora e, quando encerrou a carreira de jogadora, entre 1994 e 95, passou a trabalhar exclusivamente com educação física. “Mesmo quando eu jogava, eu já dava aulas. Só que eram poucas, porque eu não tinha tempo. Quando eu parei, fui técnica da Luso e, depois, comecei a me dedicar mais às escolas”, explica Erô, que trabalha com alunos com idade das categorias pré-mirim, mirim e infantil, ensinando o que sempre fez com maestria e garimpando talentos.

Do início em São Caetano à consagração na Prudentina e seleção

Reprodução Internet
Nesta foto, time da Prudentina vice-campeão mundial em 1984: em pé, Preto (massagista), Feitosa (delegado), Nico (chefe da delegação), Dr. Ramon (médico), Vendramini (técnico) e Pedrinho (preparador físico); sentadas: Eronides, Neca, Vanira, Solange, Rose, Fátima, Hortencia, Tute, Vânia e Beverly; na foto à esquerda, Eronides durante a aula na escola bauruense: “Penso bastante na formação do cidadão”, diz ela

Natural de São Paulo, Eronides relata que começou a jogar basquete aos 11 anos, em São Caetano do Sul, local onde sua família residia. O ano era 1970. “Minha professora de educação física me indicou para ir ao clube, na escolinha”, lembra. Logo a menina Eronides mostrou que realmente tinha nascido para praticar o esporte da bola quicando. Talentosa, sobressaiu na escolinha e iniciou uma carreira que a consagraria na modalidade nos anos que se seguiram.

Revelada por São Caetano, Erô migrou para o profissional de Guarulhos e defendeu também Prudentina, Araçatuba, Bauru, onde jogou durante cinco anos, entre outros. Foram inúmeros títulos estaduais e nacionais em clubes, além de Jogos Regionais e Jogos Abertos do Interior por várias cidades. Em Presidente Prudente, integrou o verdadeiro esquadrão da Prudentina, máquina de vitórias que ganhou tudo e chegou a ser vice-campeã mundial, em 1984. O torneio, então denominado Copa William Jones, foi realizado em Taipé, na China.

A Prudentina só foi superada pela seleção olímpica dos Estados Unidos. No torneio bateu as seleções da Itália e Canadá, terceira e quarta colocadas, respectivamente.

Ala com característica de velocidade, Eronides integrou a seleção brasileira em momento de ápice do basquete brasileiro. Como jogadora, atuou ao lado de nomes como Suzete, Hortência, Magic Paula, Marta Sobral, Vânia Teixeira e Janeth, entre outras. Colecionou títulos por todos os clubes onde passou, defendeu a seleção brasileira por oito anos, disputou Sul-Americanos, Pan-Americano e Mundial. Em segunda passagem como jogadora por Bauru, a multicampeã Eronides adotou a cidade como lar, trazendo toda a família.

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