Articulistas

As pegadas de Hecmet Farha na FEB

Braz Melero
| Tempo de leitura: 3 min

“Quando penso no futuro, não esqueço meu passado”. Esta frase da música de Paulinho da Viola define bem o ciclo natural de existência das pessoas e das organizações. Ao pesquisar os 90 anos de vida de Hecmet Farha, muitos constatarão que “fazem parte de seu passado”. Em especial, os professores, alunos e empregados da Fundação Educacional de Bauru – FEB (hoje Unesp) e do Parque Infantil Lions (hoje Emei Lions Bauru Centro).


Em meu depoimento sobre Hecmet Farha, reproduzido na matéria deste jornal, no último dia 31, pela Jornalista Ana Paula Pessoto, ao conceituá-lo, considerei no final: “...também deixou pegadas na área educacional”. Fundamento a afirmativa: meu primeiro contato com Hecmet foi em 1987. Havia retornado a Bauru, vindo de Campinas, para ser o Regional CPFL. Entre as pessoas que me acolheram, estava o dr. Renato Gadelha, aposentado, ex-regional Cia e ex-presidente da FEB. Era a minha referência de líder, pois preenchia os quesitos de Warren Bennis: ”O bom administrador faz as coisas bem; o líder as coisas certas”.


Gadelha orientou-me: “Não basta ser conhecido; mas sim reconhecido. Porém, ser conhecido pelas pessoas certas pode acelerar o reconhecimento, desde que mostre serviço”. Levou-me para conhecer pessoas e entidades. Uma dessas visitas foi ao Lions Centro. O então presidente, José Martha Filho, e os sócios Gadelha e José Queda, referenciaram o fundador, Hecmet Farha: “Este é o homem responsável pela vinda da engenharia para Bauru e demais cursos da FEB. Portanto, é graças a ele que você ingressou numa conceituada Cia e aos 36 anos retorna a Bauru, após 14 anos, para ocupar honroso cargo.”


Meus anfitriões deram mais detalhes da conquista da FEB: “Até a década de 60, tal qual ocorre hoje com a Medicina, aflorava na população movimento reivindicatório para Engenharia. Em 1966, o Estado concluía um prédio na Vila Falcão, para funcionar como Escola Industrial. O professor do Senai e jornalista Pedro Grava Zanotelli manifestava sua indignação, no jornal Correio da Noroeste. Questionava o Estado sobre a sobreposição da atividade do Senai e o porquê de não usar o prédio para a sonhada Engenharia. Atento às reivindicações, Hecmet Farha e Renato Gadelha, respectivamente, presidente e sócio do Lions Centro, uniram-se ao Zanotelli. Com os relatórios em mãos, convenceram o prefeito Nuno de Assis a constituir uma comissão, para fundamentar junto ao Governo Estadual a oportunidade de dar uso adequado ao novo prédio.”  


Na época, questionei sobre o milagre de em apenas um ano a FEB funcionar: Meus interlocutores responderam: “O governador Laudo Natel e sua esposa nasceram em nossa região. Por temer viajar de avião, a parada obrigatória era o Posto Restaurante Sem Limites, de Hecmet Farha. Daí, tornarem-se amigos, bem como as esposas, Alice e Maria Zilda. Ciente que outras cidades faziam a mesmo pleito e que havia risco político de repetir o episódio da Medicina, Hecmet não se fez de rogado. Foi falar com o amigo governador, que o recebeu no palácio, sem as formalidades de praxe. Com a cópia do processo reivindicatório, deu continuidade aos contatos informais que haviam tido fora do palácio. Coincidência ou não, o processo acelerou. Meus anfitriões destacaram, ainda: três mandatos de presidente da FEB foram de sócios do Lions Centro: Luiz Edmundo Coube e José Renato do Vale Gadelha. Outra unidade de ensino com a atuação de Hecmet Farha e do Lions presidido por Ibrahim Haddad foi inaugurada em 1957. A denominação inicial era  'Parque Infantil Lions Club', no Jd. Bela Vista, por onde passaram milhares de crianças."


Ao longo dos 90 anos que viveu, Hecmet Farha esteve com o ensinamento de Melvin Jones, fundador do Lions internacional, na ponta da língua, bem como o praticou: “Você não pode ir muito longe enquanto não começar a fazer algo pelo próximo”.


O autor é ex-presidente imediato do Lions Bauru Centro

Comentários

Comentários