| Douglas Reis |
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| Como manda a tradição, grupo saiu nessa quarta-feira (6) pelas ruas do bairro Bauru 16 com muita fé e alegria |
Enquanto a viola e o cavaquinho davam o tom, as vozes anunciavam: “Viva Santos Reis”. Com roupas coloridas e entoando versos de festejos à visita dos três reis magos ao Menino Jesus, crianças, adultos e idosos percorriam as ruas do Bauru 16, para propagar alegria e devoção.
No detalhe das mãos de cada fiel, era possível notar entusiasmo no toque dos instrumentos e gratidão ao receber doações, enquanto o grupo levava cantoria e orações a diversas casas e estabelecimentos comerciais do bairro.
Trata-se da Folia de Dia de Reis, tradicional festa religiosa com caráter também folclórico e popular, comemorada no dia 6 de janeiro. Nessa quarta-feira (6), em sua 16.ª edição, a festa realizada pelo Grupo Folia de Reis contou, novamente, com a união de quem faz questão de celebrar a data.
É o caso do líder do grupo em Bauru, Antônio Correia, que luta para manter viva a cultura entre a família e amigos. “A gente fica feliz em ver que as pessoas ainda se emocionam com a festa. A intenção é passar essa tradição para a criançada, do contrário acaba”, observa.
Manter a Folia de Reis no Bauru 16 por tantos anos, sempre com amor e dedicação, já rendeu bons frutos ao seu Antônio. Mais novo do grupo, com 11 anos de idade, seu neto Ederson Augusto Maximiano Correia promete manter viva a tradição herdada pelo avô.
“Acompanho a festa desde quando tinha 6 anos. Não me vejo fora da comemoração. É uma celebração muito legal e importante, em que muitas pessoas alcançam graças. Vou me empenhar para que o evento aconteça todos os anos”, frisou.
Com apenas 16 anos, Michael Marques da Silva recebeu a missão de liderar a andança pelo bairro. Vestido de “Pai Bastião” – palhaço que, conforme a tradição, deve proteger o Menino Jesus -, ele demonstrava orgulho por participar da festa dos três reis magos.
“É gratificante, pois eles (três reis magos) tiveram um papel muito importante na história do nascimento de Jesus. Assim como meus companheiros, pretendo levar a tradição por muitos e muitos anos”, projeta.
Acolhimento
| Douglas Reis |
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| O casal Joaquim e Irene recebeu o grupo com muita alegria |
O dia 6 de janeiro é uma data bastante aguardada pelos moradores do Bauru 16. Em cada parada para propagar cantoria e orações, o grupo era acolhido com carinho. O casal Joaquim Marques, 70 anos, e Irene Simões, 66, se emocionou com a visita.
“Descobri a festa no ano passado e adorei. Pretendo participar todos os anos”, disse Irene. “Vou sempre ao Estado do Paraná. Lá, os mais antigos já morreram e os mais novos não se interessam pela comemoração, ao contrário daqui”, observa Joaquim.
Em outra residência, enquanto os amigos Wueder Gonçalves, 31 anos, e Umberto Alves de Lima, 35, recebiam a visita do grupo, a vizinha Rute de Oliveira, 61 anos, só observava. Emocionada, ela fez questão de fazer a sua contribuição ao doar alimentos não perecíveis.
“É uma festa muito bonita. É o nascimento de Cristo. Todos estão alegres e isso me contagia. Meu coração fica feliz também”.
Almoço
Durante a caminhada, o grupo fez uma parada na Igreja Santa Clara para outro momento de oração, e seguiu para a casa de seu Antônio, onde, ao meio-dia, foi servido um almoço (macarronada, frango frito e farofa), feito com arrecadações da população.
Você sabia? A Folia de Reis é uma festa de origem portuguesa ligada às comemorações do Natal. No Brasil, segundo a tradição, um grupo de cantadores e instrumentistas percorre as cidades entoando versos de festejos à visita dos três reis magos ao Menino Jesus. Os versos declamados são preservados de geração em geração por tradição oral.
Os instrumentos utilizados são viola, violão, sanfona, reco-reco, chocalho, cavaquinho, triângulo, pandeiro e outros. Os personagens - mestre, contramestre, três reis magos, palhaço, e foliões - trajam roupas coloridas. Ainda neste Dia dos Santos Reis, a tradição pede que todos os enfeites natalinos - árvores, luzes e presépios - sejam guardados até o próximo Natal.
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