Tribuna do Leitor

Acontece nas redes

Leila Tebet
| Tempo de leitura: 2 min

Internet, notadamente Facebook, se tornou a porta aberta para qualquer tipo de consideração, qualquer asserção, por mais petulante que seja, por mais inconsequente também. Um caso assim aconteceu recentemente no ambiente bauruense, infelizmente protagonizado por um empresário da cidade. Digo infelizmente por causa dos comentários para lá de agressivos que essa pessoa proferiu. Proferiu não, escreveu, claro.


Evidentemente, o mesmo deletou os próprios comentários depois, talvez depois de alguém lhe alertar sobre a periculosidade de tais declarações e também bloqueou o debatedor, o que deixou a página do Facebook na paz e na serenidade da “verdade” inconteste. A dele, claro!


Como disse o filósofo polonês Zygmunt Bauman acerca do Facebook: “Se é fácil fazer (supostas) amizades, o mais interessante é a possibilidade de desfazê-las com apenas um click”. Mas será que podemos sempre voltar para trás? “As palavras voam, os escritos permanecem”, diz o provérbio.


E para o bom entendedor, o “print screen” é a arma soberana. Por mais que tenha deletado os posts de sua página, o “print” já estava correndo na velocidade da rede, viralizando e o autor infeliz viu se deflagrar uma onda de protestos diante das abominações que havia escrito.


Mas o autor do post “Adeus Paris”, no qual se gaba para ultrajá-los, de conhecer o pensamento da “esmagadora maioria dos parisienses” quando o mesmo “crítico” demonstra no mesmo post não saber ao certo o significado da cores da bandeira francesa, é um acostumado do jeito autoritário, pois ele já havia me deletado anteriormente a esse episódio por eu ter apontado para arrogância descabida do tom (e a inveracidade das afirmações) que assumira para sua platéia de fãs, três dias após os atentados que deixaram 130 mortos em Paris.


Apesar da Internet estar presente em todos os momentos do nosso quotidiano, a força inegável do jornal é que continua sendo um laço forte nas relações humanas, pois este é como as verdadeiras relações “cara a cara”, não se deleta.

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