Tribuna do Leitor

'Para todos, feliz 2019'

Antonio Carlos A. dos Santos
| Tempo de leitura: 2 min

É dessa maneira, apagando os próximos três anos do calendário, que muitas pessoas se saudaram às vésperas do fim de 2015. São brasileiros e brasileiras desconfiados quanto à possibilidade de melhora no cenário político e de reanimação da economia em frangalhos. É fato que pioraram no Brasil em 2015 todos os indicadores de bem-estar social, de progresso material individual e coletivo.


Temos hoje a mais pesada dívida pública bruta da história recente, a maior inflação da última década, desemprego em alta, desconfiança generalizada, o fardo pesado do rebaixamento pelas agências internacionais de risco, tudo isso resultando na pior recessão dos últimos 35 anos. Enfim, uma dramática volta a um passado que julgávamos superado.


Sim, retrocedemos. Estamos pagando por mais um dos tantos erros históricos que nos condenaram ao pitoresco papel de país do futuro, de eterna obra em construção. Mais do que  em outros baques do passado, porém, temos agora, como nação, o dever de avaliar o que se pode começar a reconstruir imediatamente com os recursos de que o Brasil dispõe. O país precisa entender que seus erros históricos foram fatores essenciais à sua formação, e, por essa razão, hoje somos um país melhor, mais forte e mais justo.


Por mais que se apontem exageros na decretação de prisões, é necessário que a democracia brasileira possa ver reconfirmada de maneira enfática a tese da igualdade de todos perante a lei. Por mais estranheza que nos tenham causado os choques entre poderes da República, é inegável que a nenhum dos protagonistas ocorreu aventurar-se pelos descaminhos da inconstitucionalidade. Por mais dúvidas que tenhamos sobre as convicções do governo quando reafirma seu compromisso com o ajuste fiscal, as reformas estruturais e o aumento da eficiência, fica demonstrada a inviabilidade de qualquer corrente política atingir e manter o poder pregando e praticando mentiras, pedaladas e mais corrupção.


Com alguma boa vontade, é possível vislumbrar, entre os ardis, as manobras e as negociações de favores em Brasília, sinais benignos da retomada da atividade política como a arte do possível, e não mais como exercício da ilusão das massas. Já surgem políticos convencidos da necessidade premente de aliviar o peso dos tributos e da burocracia sobre os ombros das pessoas que produzem, sejam elas empregados, empregadores ou investidores. É necessário que o pêndulo da política na América Latina, depois de anos de doloroso populismo bolivariano e neocaudílhismo, esteja finalmente voltando para a posição de equilíbrio, com a vitória eleitoral de um presidente não peronista na Argentina e de uma maioria parlamentar antipopulista na Venezuela.


Esses países se juntam à Colômbia, ao Peru, ao Paraguai e, ainda, ao Chile na formação de uma massa crítica racional em nossa vizinhança, com enorme chance de influenciar positivamente os eleitores brasileiros, para dar um basta ao populismo de esquerda de Lula, Dilma, PT e seus aliados. Feliz 2019!

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