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Batalha contra Aedes ganha reforço das igrejas em Bauru

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Coordenador estadual da Defesa Civil, José Roberto de Oliveira

A batalha contra o mosquito Aedes aegypti ganha novo capítulo em Bauru. Em reunião com representantes de 14 cidades da região, ontem de manhã, o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel PM José Roberto Rodrigues de Oliveira, anunciou mutirão inédito de vistoria a terrenos e imóveis, cujo trabalho contará  com ampla adesão da comunidade, inclusive de igrejas. Líderes religiosos já aprovaram a iniciativa.

A força-tarefa, que vai mobilizar ainda o Exército e a Polícia Militar, já tem datas definidas em janeiro: dias 23 e 24 (sábado e domingo), e no final de semana seguinte, 30 e 31. A ação, que serve como reforço aos trabalhos já promovidos semanalmente por agentes de endemias, ocorrerá simultaneamente em todo Estado e deve ser realizada também nos próximos meses, até julho.

Durante o encontro entre autoridades da cidade e região, que ocorreu na sede do Comando de Operações da PM (Copom) em Bauru, coronel Oliveira destacou que o objetivo do mutirão é vistoriar todos os domicílios. Para tanto, ele ressalta que é indispensável o apoio em massa da comunidade. “Dividimos o Estado em censitários, para seguir a lógica do IBGE. São 69 mil setores e não há agentes públicos suficientes para atender a demanda”, pondera.

Atuando pela primeira vez no combate ao Aedes aegypti, a Defesa Civil entende que, através das igrejas, será possível alcançar um número maior de voluntários. “A gente consegue atingir a comunidade de forma mais eficaz com auxílio das lideranças religiosas, no sentido ecumênico da palavra. A igreja é composta por membros da comunidade e isso facilita o processo de entrada nos imóveis”, exemplifica.


Apoio necessário
Pároco da catedral do Divino Espírito Santo, padre Marcos Pavan destacou que a comunidade católica dará total apoio ao mutirão. “A igreja está sempre à disposição. É uma maneira também de atingir os fiéis para que eles criem conscientização à respeito desse problema grave de epidemia de dengue que estamos passando”.

Presidente do Conselho de Pastores de Bauru e Região (Conpev), Robson Aparecido da Silva também garante envolvimento na ação. “O problema já vem sendo debatido faz tempo, mesmo não sendo especificamente da área da igreja. Com certeza, daremos total apoio”, frisa Robson.

Cada vez mais, a discussão em torno do problema vem ganhando atenção tanto do poder público quanto da própria população. No ano passado, foram registrados 8.522 casos de dengue na cidade, com seis óbitos.

Além da dengue, a chikungunya e zika também preocupam, apesar de não haver registros dessas doenças no município.


Infestação

E por mais que medidas de prevenção e de higiene sejam insistentemente divulgadas, o nível de infestação por larvas do mosquito Aedes aegypti é alarmante nas residências de Bauru. Em 41 bairros da cidade, o índice é superior a 4%, considerado de risco de surto de dengue, classificada como a condição mais crítica pelo Ministério da Saúde. Os números constam no Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (Liraa), realizado na primeira quinzena de outubro de 2015 em 6.159 imóveis de Bauru, conforme o JC publicou há dez dias.


Mudar comportamento

Para o prefeito Rodrigo Agostinho, que esteve no encontro ontem, o maior desafio no combate ao Aedes aegypti é tentar mudar o comportamento da população. “Todos já estão bem informados, mas precisam parar de levar o mosquito para dentro de casa. Estamos com 100 funcionários percorrendo as ruas, mas percebemos que há reincidência. Esperamos  que essa mobilização inédita contribua para que as pessoas mudem os hábitos”, diz. 

Coordenador da Defesa Civil em Bauru, Álvaro de Brito reiterou que o nível de infestação de dengue na cidade está sendo a “grande dor de cabeça” para as autoridades.  “Estamos fazendo a nossa parte, mas cada um tem que verificar a sua casa, diariamente”, aponta.

 

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