Depois de o JC revelar que não saiu do papel o videomonitoramento nas ruas do Centro de Bauru, prometido pelo governo federal para o primeiro semestre de 2015 por meio do programa “Crack, é possível vencer”, o Ministério da Justiça informou que, apesar de as 20 câmeras do sistema não terem sido compradas, os veículos pactuados já estariam à disposição e poderiam ser utilizados. No entanto, o micro-ônibus, os dois carros e as duas motos jamais chegaram a Bauru.
Representante da Polícia Militar no Comitê Gestor do programa em Bauru, o major Ézio Carlos Vieira de Melo revela que as motos e o micro-ônibus até foram entregues ao pátio da corporação, na capital do Estado, mas apresentavam uma série de desconformidades.
As viaturas de duas rodas até foram recebidas provisoriamente, já que os problemas devem ser facilmente resolvidos. O mesmo não ocorreu, porém, com o veículo de grande porte, adquirido para servir como base móvel de monitoramento das câmeras.
Ézio afirma que, no micro-ônibus, foram constatados diversos desajustes, inclusive referentes à segurança. Após uma reunião com o setor da PM responsável pelo recebimento de viaturas, em São Paulo, a empresa contratada pelo Ministério da Justiça para promover os ajustes no veículo se comprometeu a retirá-lo do pátio. Esse encontro, no entanto, aconteceu em novembro de 2015 e, pelo menos até ontem, o combinado não havia sido cumprido.
“O micro-ônibus não foi recebido em definitivo nem de forma provisória. Só depois das adequações, a comissão fará uma reavaliação para que o automóvel seja incorporado ao patrimônio da Polícia”, completa o major.
Já os dois carros pactuados pelo “Crack, é possível vencer” não chegaram sequer ao pátio da PM em São Paulo, segundo Ézio.
CÂMERAS
Como noticiado pelo JC na última quinta-feira, o Ministério da Justiça espera licitar a compra das 20 câmeras que viabilizarão o videomonitoramento em Bauru ao longo deste ano. O órgão justifica que a entrega dos equipamentos ainda não aconteceu porque foi identificada a necessidade de revisão da proposta de solução tecnológica para a implantação do sistema, “buscando aprimorá-la para a realidade das cidades a serem beneficiadas nesta etapa do programa”.
CHOQUE E PIMENTA
O programa federal previa ainda a compra de 150 espargidores de espuma de pimenta e 50 pistolas de choque. Os primeiros já foram entregues pela Polícia Militar, mas a corporação ainda não os recebeu formalmente, pois aguarda que todo o equipamento seja disponibilizado.
Já as pistolas são prometidas pelo Ministério da Justiça para o mês de março.
Descompasso
Após a publicação da primeira reportagem sobre o videomonitoramento na última quinta-feira, o Ministério da Justiça contatou a reportagem alegando que tanto as viaturas pactuadas quanto os espargidores de espuma de pimenta estavam à disposição dos órgãos locais envolvidos no “Crack, é possível vencer”. “As ações já podem ser executadas normalmente”, frisou a assessoria de imprensa.
Ontem, confrontado com as informações da Polícia Militar, o governo federal ponderou que todas as eventuais pendências estão sendo verificadas juntamente aos parceiros locais para a sequência do programa no município.
Presidente de Comitê Gestor do programa em Bauru, a secretária do Bem-Estar Social, Darlene Tendolo, reiterou, nesta sexta-feira, que todas as ações no combate ao crack que independem dos equipamentos prometidos pela União estão em andamento.