Tribuna do Leitor

Sobre o Enem, avaliação e justiça social

Wellington Anselmo Martins
| Tempo de leitura: 1 min


Curioso, eu prestei o Enem há três anos e tirei 980 de redação naquela época, coisa que me deixou muito satisfeito, pois adoro escrever. Porém, já sobre o Enem mais recente, do ano passado, eu vi agora que tirei 840 de redação, coisa que também me deixou feliz, mas também me deixou curioso por causa da grande diferença que há entre as duas notas. Ora, um agravante: nesse último Enem eu caprichei de modo especial na redação, pois pretendia, exatamente, aumentar a minha nota. Mas mesmo assim o que obtive foi uma queda significativa.


E isso me leva a confirmar uma antiga hipótese: a capacidade de avaliação objetiva de dissertações é sempre frágil, o que faz com que os alunos fiquem um pouco à mercê de seus avaliadores ocultos. Infelizmente. Ou seja, o mérito desse tipo de prova é muito relativo e, por isso, acredito que tal ‘mérito’ não deveria ser o meio único de acesso a importantes vagas de universidades públicas.


Precisamos pensar em meios mais justos, como a análise de todo o histórico escolar de cada aluno interessado em entrar no ensino superior (esse método de avaliação já é usado em alguns outros países). Ou até mesmo pensar em meios mais criativos, pelo menos para uma minoria das vagas, como o livre sorteio (esse método baseado no ‘acaso’ foi proposto por Rubem Alves quando ainda vivo). E, claro, o ideal é lutar para que criemos uma sociedade na qual todas as pessoas com interesse na vida universitária tenham vaga garantida e, assim, possam desenvolver e multiplicar os seus talentos em benefício de toda a sociedade.


Enfim, é desnecessário dizer que o Enem é uma prova interessantíssima e socialmente muito útil. Porém, é importante ressaltar as possíveis fragilidades desse tipo de processo seletivo que, inclusive, podem gerar injustiças sociais posteriores.


 

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