| Sidney Aguiar/Divulgação |
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| Em Lençóis Paulista, canal do lago da Prata (foto) é monitorado; o rio Lençóis suCbiu e invadiu um imóvel em situação irregular |
A chuva, que não dá trégua e deve prosseguir até a próxima quarta-feira, começa a causar estragos na região. Em Agudos (13 quilômetros de Bauru), o excesso de chuva abriu buracos no asfalto e as galerias não estão suportando o volume de água, fazendo com que algumas ruas fiquem alagadas.
O diretor de obras do município, Carlos Octaviani, diz que, apesar dos estragos, nada grave havia sido registrado até o final da manhã dessa segunda-feira (11). “Vamos recuperar assim que a chuva parar. Aqui, a situação está sendo monitorada e não há registro de desabrigados”, afirma.
Em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), a chuva deixou em alerta a Defesa Civil. Segundo o coordenador municipal do órgão e vice-prefeito, José Antônio Marise, nas últimas 48 horas foi registrada uma média de 130 a 150 milímetros de chuva na cidade.
“Ainda está tranquilo. Estamos em estado de atenção. O solo já estava encharcado e, com as fortes chuvas em toda a região, ainda não sabemos como vai ficar o rio Lençóis, uma vez que choveu muito na cabeceira e a água ainda não chegou por aqui”, explica. “O rio ainda está na calha. Para causar um problema mais sério, ele teria que subir, no mínimo, uns 80 centímetros para chegar a invadir residências.”
Alagada
Na segunda (11) de madrugada, o córrego Corvo Branco, afluente do rio Lençóis, subiu e invadiu uma casa na rua André Bacili. Em nota, a prefeitura informou que o imóvel está em situação irregular porque foi construído em Área de Proteção Permanente (APP).
“Uma ponte foi represada por material de construção e tábuas que foram jogadas indevidamente no rio. A vazão ficou comprometida. Embaixo dela tem dois tubos grandes que ficaram fechados com esse material. Apuramos que era um guarda roupa e várias tábuas que enroscaram nos tubos e represaram o rio”, declarou Marise. “Vai chegando detritos, vegetação e comprometem a vazão. Acabou invadindo uma casa. Não houve necessidade de retirar a família porque o rio acabou baixando”.
No Jardim do Caju, muro de cerca de 20 metros da Escola Guiomar Fortunata Coneglian Borcat cedeu, deixando a água represada em virtude do entupimento da tubulação de água.
A prefeitura informou que as obras executadas na região da Vila Contente surtiram efeito. “Não foram registrados pontos de alagamento de casas no local”, afirma. Prefeitura, Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Lençóis Paulista e Defesa Civil estão monitorando as áreas mais sensíveis.
Por que os rios transbordam?
O especialista em sustentabilidade Sidney Aguiar explica que as cheias são causadas, em geral, pela combinação de fatores aliados ao alto índice de pluviosidade. O primeiro ponto citado por Aguiar é o chamado “esponjamento hídrico” inverso, que ocorre quando o solo perde a capacidade de absorção de água e começa a ejetá-la para fora. “É quando ocorre a drenagem de tudo que é recebido pelo solo para as partes mais baixas das bacias hidrográficas.”
O segundo fator é o efeito reverso das águas nos corpos d’água. “É um fenômeno causado pelo estrangulamento das águas fluviais, que ocorre das partes mais baixas para as mais altas dos rios.” O especialista conta que o volume de chuva que atingiu Lençóis Paulista, Agudos e Borebi representa o esperado para o mês todo de janeiro. “Essa elevação deixa o rio Lençóis em estado de atenção, pois está no limite máximo de drenagem”, declara.
Na opinião dele, as próximas 24 horas são críticas porque a previsão é de mais chuva. “E pelo solo estar saturado e já apresentando o ‘efeito esponja’, toda a água que cai não sofre absorção pelo solo e, sim, é drenada toda para os rios”, revela.
