| João Rosan |
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| Tenente Bruno Freitas conta que a motorista estava “muito exaltada” e desrespeitou a equipe |
Uma professora da rede pública de ensino, de 37 anos, foi presa dirigindo embriagada com a filha de apenas 1 ano e 2 meses no banco de trás do veículo, próximo à avenida Getúlio Vargas, região da Vila Aviação, em Bauru, na madrugada dessa terça-feira (12). Antes da abordagem, a mulher já havia fugido da PM por duas vezes, em alta velocidade. As identidades dos envolvidos foram preservadas em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para não identificar a bebê.
Com um homem identificado como amigo da condutora, a polícia encontrou uma porção de maconha. No momento da abordagem, por volta das 3h, a criança chorava muito. Como nenhum familiar da mãe foi localizado, o Conselho Tutelar foi acionado e a menina, levada a um abrigo.
A professora foi encaminhada à Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde o delegado plantonista Paulo Calil ratificou o flagrante por embriaguez, após constatação médica. Uma fiança de R$ 880,00 foi arbitrada e, como o valor foi pago, a mulher acabou sendo solta. Ao rapaz, foi elaborado termo circunstanciado de porte ilegal de drogas e ele também foi liberado.
Fugiu duas vezes
O episódio começou por volta da 1h. De acordo com o 1.º tenente PM Bruno Freitas, comandante da Base Sul da PM, uma equipe localizou o casal em um Celta prata, próximo da favela Vila Zillo. Ao perceber a aproximação da viatura, a mulher, que estava ao volante, empreendeu fuga e conseguiu despistar os policiais.
Duas horas depois, os mesmos PMs se depararam novamente com o veículo, na altura da rotatória do prédio da Polícia Federal, na avenida Getúlio Vargas. Mais uma vez, a mulher fugiu. “Ela trafegava em alta velocidade, colocando em risco a vida dela, dos passageiros e de outros condutores”, observa Freitas.
O veículo foi abordado em uma viela de terra - que dá acesso à Base de Rádio Patrulhamento Aéreo (BRPA) da Polícia Militar. Ainda segundo o tenente da PM, o casal estava visivelmente embriagado e o rapaz carregava uma porção de maconha. Dentro do carro, havia várias garrafas de bebidas vazias.
A professora fez o teste do etilômetro, cujo resultado apontou 0,73 miligramas de índice alcoólico no sangue, considerado crime de trânsito. “Ela estava bastante exaltada. Desrespeitou a equipe e apresentava muito nervosismo”, relatou Freitas.
A condutora ainda estava com a CNH vencida e com o licenciamento atrasado. O carro foi apreendido. O que mais chamou a atenção dos policiais militares é que, no banco de trás, sentada no bebê conforto, estava a filha da condutora, de apenas 1 ano e dois meses. “Ela chorava muito, estava assustada. Fugir em alta velocidade com uma bebê no carro e embriagada poderia ter gerado consequências gravíssimas”, alerta do tenente. Ainda de acordo com Freitas, tudo indica que a mulher tenha ido com a filha no carro também para uma biqueira.
‘Injustificado’
O caso foi registrado pelo delegado plantonista Paulo Calil. “O ato que ela cometeu é totalmente injustificado. Não é normal uma mãe dirigir totalmente embriagada com a filha no carro”, criticou Calil.
A mulher alegou que saiu para comprar uma lata de cerveja e levou a filha por não ter com quem deixá-la. “Disse que tinha bebido, mas que não estava alcoolizada. O exame médico, contudo, comprovou o contrário”.
Encaminhada a abrigo
Após o registro da ocorrência, a conselheira tutelar Adriana Providello foi acionada, já que nenhum familiar da bebê de 1 ano e dois meses foi localizado. “A menina estava bem cuidada, mas chorava bastante. Afinal, era tarde da noite e ela deveria estar dormindo”, frisa Providello.
A criança foi encaminhada para um abrigo da cidade, onde recebeu cuidados como alimentação e higiene. “Ela estava com a frauda molhada de urina. Deram um banho nela e a colocaram para dormir. Mas ela está bem”, garante.
A guarda da menina ficará à disposição da Justiça. “Agora, tentaremos localizar os familiares para fazer o acompanhamento. No entanto, caberá ao juiz da Vara da Infância e Juventude avaliar com quem a criança ficará”, explica.
