Articulistas

Clorinda Resta

Luciano Dias Pires
| Tempo de leitura: 3 min

Quando criança, a caminho da feira livre que funcionava no primeiro quarteirão da Agenor Meira, confluência com a Marcondes Salgado, costumava, por alguns instantes, permanecer na esquina da mesma Agenor com a Cussy, na época Rua Inconfidência, para ouvir e me deliciar com as peraltices de um papagaio da família Fortunato Resta.


Aquela ave, incentivada por parte dos familiares do saudoso pioneiro, principalmente pelas mulheres, assobiava e chegava mesmo a emitir alguns sons imitando a voz humana que eram perfeitamente identificados como trechos de músicas de sucesso da época. Aquela ave era, realmente, uma atração em suas exibições. Quis o destino que, passados tantos anos, pudesse eu ingressar no quadro de locutores da Bauru Rádio Clube e travar contatos com os que labutavam naquela emissora pioneira, a tradicional PRG-8 – Bauru Rádio Clube. Entre os novos amigos com os quais passei a desfrutar de uma fértil e duradoura amizade, estavam o Severo e Clorinda Resta.


Ele, integrante do cast de comediantes da então nova estação de rádio, vivia a figura do Espacatuto nos diferentes esquetes cômicos, ao lado de Abrahão (Antônio Simonetti), Ribeiro Escobar (Lameu), Zé Guedes (Ernesto Begonha), Cira de Oliveira e outros. Com ele já caminhava, em direção ao estrelato, a irmã Clorinda Resta, a qual viria a ser um nome de destaque da vida radiofônica de Bauru e também de presença marcante nos primeiros tempos da nossa televisão.


Levou ela, para a TV Bauru – Canal 2, os conhecimentos e a tarimba conquistados com méritos indiscutíveis no meio da comunicação da nossa então Capital da Terra Branca. Escreveu novelas para a G-8 e idêntico trabalho realizou na TV Bauru – Canal2 (outra iniciativa do pioneiro da comunicação em Bauru, João Simonetti). Em nossas atividades no rádio, desde o início de 1950 até os primeiros anos da década de 1960, caminhamos lado a lado com a inesquecível Clorinda. Nos bastidores da PRG-8, na Bela Vista, nos estúdios, tivemos o privilégio de acompanhar a sua trajetória brilhante. É um nome que deve a precisa ser reverenciado nos meios da comunicação da nossa cidade.


Recentemente, quando Paulo Sérgio Simonetti lançou o livro sobre a história de seu avô Joanin (João Simonetti), tivemos a oportunidade de não apenas reencontrar diversos ex-colegas do mundo radiofônico bauruense, mas com especial carinho com Clorinda Resta que, mesmo andando com certa dificuldade, esteve presente naquela autêntica confraternização. Mas, ao me ver, me abraçou demoradamente e, entre sorrisos e lágrimas, pudemos relembrar, com detalhes, dos tempos desfrutados há mais de 50 anos na lendária G-8.


Jamais pensei que aquela seria o último encontro com a Clorinda Resta, que depois de casada ganhou o sobrenome de Mazzetto. Naqueles instantes de muitas recordações, por alguns instantes o meu pensamento voltou para as remotas épocas da G-8 e observava, no palco da imaginação, a figura de Clorinda, cantando, se apresentando em cenas cômicas das novelas radiofônicas e na TV. Foi aquele dia festivo nas instalações da Rádio 94 um verdadeiro tributo a história do rádio bauruense quando, sem saber, me despedia da amiga de tantos momentos felizes, a inesquecível Clorinda Resta.


O autor é jornalista

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