Alunos da antiga escola pública comungavam da maior reverência para com os professores e funcionários. Era visível essa manifestação quando o diretor ou o professor adentrava a sala de aula todos se levantavam de suas carteiras com respeitoso silêncio. Ao toque da campainha de entrada, recreio e saída era fácil observar uma disciplina consciente dos deveres e das obrigações recíprocas.
Professores bem qualificados tinham facilidade na aplicação do programa escolar. A novíssima escola, no entanto, não é mais assim... - o que será que mudou tanto? – A faixa etária de ontem e de hoje permanecem iguais para o ensino fundamental agora até a 9ª série e o ensino médio recebeu em extensão a Educação de Jovens e Adultos substituindo o que era tradicional como Madureza. – E os professores? – Sim, estes sofreram radical mudança!
Docentes nas décadas a partir de 1960 foram submetidos ao massacrante cumprimento de currículos comuns e específicos elaborados nos gabinetes do Ministério da Educação, formato até hoje em aproveitamento e mas elástico. O gigantismo da escola pública é carente de recursos de toda ordem. No ensino superior, massificação do alunado, desenfreada abertura de cursos superiores com nítidos pendores mercantilistas.
Prédios outrora residenciais foram transformados, de uma hora para outra, em escritórios de universidades com direito a placas e luminosos identificadores, sendo que as mantenedoras encontram-se nos Estados mais distantes da Federação. Feita a matrícula, o jovem calouro recebe um robusto carnê com 12/13 parcelas para pagar e o horário em que o telão estará à sua disposição para ouvir e anotar o que um Professor, em distância mínima de 100/500 quilômetros, têm a dizer sobre esta ou aquela disciplina.
Não haverá contatos com o docente, contudo, eventuais dúvidas ficam relegadas ao e-mail e no aguardo de uma possível resposta. Resultados dos concursos públicos e do próprio Enem testemunham o baixo índice de qualificação escolar. Aliás, o ministro, ao tomar conhecimento dos resultados admitiu haver oscilações e para ele, baixo nível não se trata de “uma tendência” e estamos conversados.
Governos tentam através de leis, decretos e resoluções corrigir o que não anda bem. Recente gestação de projeto educacional no maior Estado da Federação precisou ser abortado pelo governador – os danos causados ao patrimônio público, aos gestores educacionais, aos docentes, pais de alunos e ao próprio aluno ainda não foram mensurados. Por outro ângulo, a propalada profissionalização e aprimoramento dos docentes ensejam uma valorização no aspecto pessoal e também na escala ascendente de vencimentos e salários.
Projetos com esses objetivos morrem na casca em face dos altos custos. Ora, sendo o governo gestor da educação, contratante dos milhares de profissionais ao que parece fecha os olhos e parece não ouvir os reclamos de seus colaboradores e dos destinatários da educação básica e superior. As greves ou greve branca tornam-se permanentes. Se o aluno ou bacharel em alguma área pretender uma qualificação de reconhecida qualidade terá que investir com recursos próprios. Se iniciar um aperfeiçoamento escorado em verbas oficiais corre o sério risco de ficar a deriva.
O Estado simplesmente comunica: “Não há verba”. E nas escolas particulares? Bem... aqui o problema é mais sério! O Estado incapacitado para atender a todos os alunos da idade escolar inicial até o nível superior delega aos particulares essa obrigação. Não os subvencionando, deixa ao elevado critério das mantenedoras aplicar as tabelas indicativas de preços ao consumidor. Deitam e rolam, não há como reclamar!
O Estado reserva para si o poder de impor regras para atender a lei de diretrizes e bases da educação nacional. Acredita na existência de uma fiscalização rigorosa que, para nós outros, é totalmente zarolha. Estava para concluir este texto quando chega às minhas mãos o exemplar do JC de hoje, 12/1, com o magnífica exposição feita sobre “Mazelas da graduação universitária”, pág. 22, do preclaro jornalista e escritor Gabriel Bocorny Guidott. Fiz atenta leitura do texto e resolvi interromper minhas reflexões sobre o mesmo tema.