Colônias de abelhas são cada vez mais frequentes no meio urbano por conta da oferta de comida nas cidades e do aumento de áreas desmatadas. E, durante a primavera e o verão, estes insetos se reproduzem em maior quantidade, o que aumenta a probabilidade de estes enxames estarem cada vez mais próximos da população.
Mas, qual a providência adequada a ser adotada diante do encontro de milhares de abelhas em uma colmeia? Segundo especialistas no assunto, o ideal é acionar ajuda profissional, já que algumas espécies podem até mesmo matar, dependendo do número de ferroadas e do nível de alergia da vítima ao veneno.
Uma delas, bastante comum em Bauru, é a abelha africanizada, resultante do cruzamento entre abelhas africanas e europeias. Por não serem espécies nativas e representarem risco às pessoas, a bióloga e professora doutora do departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Fátima Knoll, defende que até mesmo o extermínio da colônia pode ser recomendado, dependendo do local onde estiver instalada.
“Às vezes, a retirada pode ser bastante difícil e arriscada. E, por se tratar de uma espécie não-nativa, pode-se indicar a eliminação por uma questão de segurança pública”, afirma ela, que é especialista em abelhas.
O Corpo de Bombeiros informa que, atualmente, não realiza a retirada de colônias, serviço que deve ser realizado por mão de obra especializada, como a do apicultor Cirço de Araújo, há 30 anos neste ramo de atuação. Independentemente da espécie, contudo, ele sempre destina o enxame para um local afastado da cidade.
“O risco de abelhas como as africanizadas atacarem é grande se forem manipuladas da maneira errada. Mas elas fazem parte da natureza, são importantes para a polinização”, frisa, destacando que o valor do serviço varia de acordo com a altura da colmeia e da distância do endereço onde ela está localizada. “Atendo toda a região”, completa.
40 ao mês
Uma das mais recentes foi removida no último dia 7, em uma árvore existente na quadra 5 da rua João Esteves de Souza, no Jardim Carolina. “Eram abelhas africanizadas. Foi preciso tirar de lá, porque tinha umas 6 mil e era um risco para as crianças, que, nesta época, estão em férias escolares”, observa.
Segundo Cirço, durante a primavera e verão, época de maior reprodução das abelhas, ele chega a retirar cerca de 40 colônias por mês, algumas delas com mais de 32 mil insetos. Também apicultor que realiza este trabalho, Altair Donizete Teodoro afirma remover a mesma média mensal de enxames, que podem ser encontrados em lugares inusitados.
“Normalmente, usa-se fumaça para acalmar as abelhas, a partir da queima de madeira e que não faz mal. Pela falta de mata para elas se fixarem, podem ficar em pneus, latas de tinta vazias e caixas de papelão”, enumera ele, que é presidente da Associação Bauruense de Apicultores.
Cirço atende ocorrências envolvendo abelhas pelo telefone (14) 99686-8180 e Altair, pelo (14) 99726-7217.
Abelhas podem estar em qualquer lugar...
Galhos de árvores, postes de iluminação, forros de casas, quadros externos de energia, aparelhos de ar condicionado e até motocicleta. Praticamente todo tipo de espaço que ofereça o mínimo de proteção pode servir de abrigo para abelhas no meio urbano.
Segundo a bióloga e professora Fátima Knoll, elas são mais frequentemente vistas durante a primavera e verão devido à fartura de flores e, consequentemente, de néctar nesta época do ano, o que favorece a reprodução das espécies. “Além de multiplicar o número de indivíduos na colônia, ainda ocorre a reprodução das colônias. Ou seja, as abelhas migram de uma colônia para gerar outras”, pontua a especialista.
Propício
Ela frisa que o ambiente urbano é especialmente propício para abelhas generalistas, como a africanizada e a irapuã, que consomem o néctar dos mais diversos tipos de flores, além do açúcar advindo de doces e refrigerantes, entre outros alimentos humanos.
A bióloga explica, contudo, que nem todas as abelhas precisam ser retiradas por estarem próximas de imóveis. De acordo com ela, a maioria das espécies que habitam a área urbana não possui ferrões e, portanto, não oferece riscos para a população.
Em harmonia
“O ideal seria que a população conhecesse as diferenças entre elas e convivesse em harmonia com estas espécies nas cidades, até mesmo porque muitas, como a jataí, produzem mel de excelente qualidade, e própolis. As abelhas também tem papel importante na polinização dos frutos e servem de alimento para aves”, argumenta.
Fátima esclarece que, no Brasil, existem 350 espécies de abelha pertencentes à família Meliponinae, que são conhecidas por “abelhas indígenas sem ferrão”.
Entre as espécies nativas inofensivas à população, ela cita a jataí, a borá, a tubiba, a irapuá, a mandaguari e a boca-de-sapo.
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Você sabia?
Segundo o biólogo, professor do Departamento de Biologia e pesquisador do Centro de Estudos de Insetos Sociais do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro, Osmar Malaspina, a abelha africanizada é resultante do cruzamento entre abelhas africanas e europeias. “Em 1956, o que predominava no Brasil eram as abelhas europas, trazidas da Itália por padres que queriam usar o mel para fazer velas”, explica. No entanto, a espécie produzia pouco mel. “Foi quando um professor, aqui de Rio Claro, visitou a África e trouxe 40 abelhas rainhas. O cruzamento delas com as europas resultou na abelha africanizada, que produz quantidade maior de mel e são um pouco mais agressivas”, pontua.
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