| Alex Mita |
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| Bombeiros trabalham para a retirada de veículo submerso em ribeirão de Pederneiras |
A tempestade que atingiu a região na noite dessa terça-feira (12), somada às pancadas intermitentes de chuva que vêm sendo registradas desde o último sábado (9), fez com que rios e córregos transbordassem. Em muitas cidades, ruas e casas ficaram embaixo d’água. Os casos mais graves ocorreram em Pederneiras e Lençóis Paulista, onde dezenas de famílias estão desabrigadas e um homem está desaparecido (leia mais abaixo).
Em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), o prefeito Daniel Camargo (PSB) decretou estado de calamidade pública visando agilizar o repasse de recursos. Segundo a prefeitura, anteontem, em cinco horas, choveu o equivalente a 178 mm, média prevista para todo o mês de janeiro. De sábado até essa quarta (13), foram 300 mm de chuva acumulada.
Em razão do grande volume de água, quatro represas localizadas no bairro rural de Itatinguy e na região da Floresta Estadual se romperam e o nível do Ribeirão Pederneiras e do Córrego Monjolo subiu, levando grande quantidade de água e lama para dentro de dezenas de residências, a maioria no Centro.
O Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), referência regional no tratamento odontológico, a CMEI Maria Angela Pisani Pereira, a Secretaria de Assistência Social e o SEMA, que produz mais de dez mil refeições diárias para escolas e creches municipais, também foram completamente inundados.
De acordo com o município, cerca de 150 famílias estão desalojadas, abrigadas em casas de amigos ou familiares. Um Centro de Operações contra Desastres foi montado no Ginásio Municipal de Esportes. No local, assistentes sociais e voluntários fazem a triagem de água, alimentos, roupas e colchões doados pela população.
“A situação em Pederneiras chegou ao extremo. Estamos todos focados em dar assistência às famílias desalojadas, em preservar e desobstruir vias públicas para não prejudicar ainda mais a população e interditar imóveis com riscos para evitar danos humanos”, explica o prefeito.
Desaparecido
| Alex Mita/Reprodução |
| Janilson Jovan Duarte está desaparecido |
O JC apurou que, desde a última terça-feira (12), Janilson Jovan Duarte, de 40 anos, morador de Pederneiras, está desaparecido. O carro que ele conduzia quando foi visto pela última vez, um Corsa Classic verde escuro, foi encontrado nessa quarta-feira (13) à tarde no leito do Ribeirão Pederneiras.
Bombeiros também retiraram do local um Polo. A polícia acredita que os dois carros tenham sido arrastados pela enxurrada. Até o final dessa quarta, equipes faziam buscas para tentar localizar Janilson.
Centro de Lençóis Paulista fica embaixo d’água
Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) registrou a pior enchente da sua história. Em 24 horas, choveu na Bacia do Rio Lençóis mais de 200 milímetros o que, segundo o município, pode ter levado ao rompimento de represas. O nível do Ribeirão da Prata e do Rio Lençóis subiu rapidamente e, de madrugada, a água invadiu casas e lojas.
A Estação de Tratamento de Água (ETA) também ficou alagada e, desde essa quarta-feira (13), o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) está operando com a metade da capacidade. Para evitar o desabastecimento, a prefeitura orienta a população a diminuir o consumo de água.
| Helicóptero Águia/PM/Divulgação |
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| Lençóis Paulista foi inundada durante a madrugada dessa quarta-feira (13) |
De acordo com o município, que decretou estado de emergência, voluntários estão recolhendo doações para as vítimas da enchente no Ginásio de Esportes Antônio Lorenzetti Filho, o Tonicão. As famílias desalojadas estão abrigadas no Ginásio de Esportes do CSEC.
Em nota, a Câmara Municipal informou que criará uma comissão parlamentar para, junto com o Executivo, buscar uma solução definitiva para as enchentes que, desde 2006, atingem o município.
A reportagem tentou por diversas vezes levantar informações sobre o número de desabrigados e desalojados e imóveis atingidos, mas a prefeitura informou que não havia concluído o levantamento. O coordenador da Defesa Civil, José Antonio Marise, também foi procurado, mas não atendeu as ligações.
A enchente foi inevitável
Por Sidney Aguiar, especialista em meio ambiente
Boa parte da água que fez o rio Lençóis transbordar veio da cabeceira do manancial em Agudos, onde a calha sofreu alteração no curso provocada pelo excesso de água que, quando chegou a Lençóis, fez transbordar em menor tempo e com mais intensidade.
As causas da enchente foram os altos índices de pluviosidade, a saturação do solo, que não absorve mais água e as instabilidades climáticas que ocorreram nesses dias. A chuva atingiu mais de 100 mm em Lençóis Paulista e 95 mm em Agudos.
As autoridades municipais imediatamente se mobilizaram para o procedimento padrão de emergência. Avalio que houve um trabalho de inteligência extremamente dentro dos padrões recomendados, com uma rede de informações e monitoramento em tempo real integradas, que possibilitou agir de forma rápida e objetiva, distribuindo as informações corretas, tanto que, a evacuação das áreas foram rápidas e não houve vítimas fatais.
Quanto a novas ocorrências deste tipo vai depender da atitude de cada cidadão. Espero nunca mais ver isso. Essa cena é estarrecedora! O que ocorreu foi inevitável. O rio Lençóis está irreconhecível, as margens foram destruídas, a sinuosidade ficou uma reta. Lugares que eram alegres agora é só tristeza.
Em Arealva, dezesseis pontes foram destruídas pela chuva
Em Arealva (41 quilômetros de Bauru), as chuvas romperam represas, danificaram a cabeceira de pontes e alagaram estradas. O município possui mais de 500 quilômetros de estradas rurais e alguns trechos estão intransitáveis. O setor de Serviços Rurais ainda está contabilizando os prejuízos. Ontem, o prefeito Paulo Padanosque Pereira (PSB) foi a São Paulo em busca de recursos para a recuperação das estradas.
No total, segundo o fiscal geral da prefeitura, Euclides Longo Bom, 16 pontes de madeira e de concreto localizadas na cidade, no distrito de Jacuba e nos bairros de Santa Isabel, Ribeirão Bonito, Ribeirão dos Veados, Ribeirão de Cima, Aparecidinha, dos Gomes e Pirapitinga ficaram destruídas.
Nessa quarta (13), equipes do município iniciaram os reparos em duas pontes do bairro Santa Izabel. “Uma dá acesso à sede do município e a outra aos bairros dos Gomes e Ribeirão Bonito. Depois, iremos consertando as que estão mais precárias”, revelou. “Assim que firmar o tempo, realizaremos incessantemente os reparos necessários. Agora, estamos trabalhando nos emergenciais para que os moradores da zona rural não fiquem ilhados”.
Macatuba
Em Macatuba (46 quilômetros de Bauru), a água invadiu casas nas regiões da represa Figueirão e do Córrego Aguinha, que teve a estrutura lateral da canalização danificada.
Boraceia decreta ‘estado de emergência’ após temporal
| Wagner Carvalho |
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| Casa desabou durante chuva |
Em Boraceia (41 quilômetros de Bauru), a enxurrada que se formou na última terça-feira (12) em alguns pontos da cidade levou muita lama para dentro dos imóveis. Famílias perderam eletrodomésticos, móveis e passaram a madrugada toda tentando salvar o que ainda dava para ser salvo.
Quinze imóveis foram invadidos pela água e dois desabaram. Por sorte, ninguém se feriu. A estimativa é de que tenha chovido em média 150 milímetros. Da 1h às 9h dessa quarta (13), a cidade ficou sem energia elétrica. Após avaliar estragos, a prefeitura decretou estado de emergência.
Parte do barranco que margeia a vicinal Joaquim Luiz Nunes, via de acesso à balsa que liga Boraceia a Itapuí, não aguentou a força da água e cedeu. O trecho ficou interditado até essa quarta de manhã, quando equipes da prefeitura conseguiram remover a terra do local.
A chuva também danificou pelo menos 12 pontes. Na rodovia Cesar Augusto Sgavioli (SP-261), um barranco cedeu e a terra atingiu a pista. “Vamos unir nossas forças e trabalhar para dar todo o auxílio necessário para essas famílias”, disse o prefeito Marcos Bilancieri.
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Chuva causa estragos e coloca Agudos em alerta
Temporal inundou casas, alagou ruas e derrubou postes na Vila Vienense
| Divulgação |
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| Parte do asfalto cedeu no Jardim Vienense e a rua precisou ficar interditada pela prefeitura |
O forte temporal que atingiu a região na última terça-feira (12) também causou estragos em Agudos (13 quilômetros de Bauru). No Centro, várias ruas ficaram alagadas. Equipes da prefeitura trabalharam durante a madrugada para ajudar os moradores.
Segundo o município, choveu na cidade cerca de 170 milímetros, mais do que o dobro do esperado para janeiro. As vias mais atingidas foram as ruas Sete de Setembro, Quinze de Novembro e Antonio Condi, que chegaram a ser interditadas.
Em alguns trechos, a água atingiu cerca de um metro de altura e chegou a encobrir carros. Na região do Jardim Danúbio e Chácara Avato, parte do barranco de sustentação da linha férrea cedeu e a lama atingiu várias residências próximas.
Na rua Miguel Leão, na Vila Vienense, poste de iluminação pública caiu sobre um veículo, mas ninguém se feriu. Também foram registrados alagamentos de residências no Jardim Santa Cândida.
Nessa quarta (13) de manhã, equipes da prefeitura ajudaram os moradores a retirar entulho e lama das casas e desobstruíram as ruas. Equipes da Secretaria de Obras trabalharam na recuperação de vias e estradas rurais.
Na rodovia da Amizade, que liga Agudos a Borebi, uma ponte foi carregada pela força da água, deixando os moradores da cidade vizinha ilhados. Outra ponte, na estada do Seminário, também não resistiu à força da água.
“Estamos fazendo um relatório fotográfico e de informações para que possamos definir a nossa ação administrativa no sentido de decretar estado de emergência”, explicou o prefeito Everton Octaviani (PMDB).
Em Vitoriana, distrito de Botucatu, oito casas foram alagadas
Prefeitura de Botucatu libera recurso emergencial para consertar os estragos
Em Vitoriana, distrito de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), oito casas nas ruas Duque de Caxias, Conde de Serra Negra, Turma Seis e Jayme Carnietto foram invadidas pela água de um córrego. Os moradores tiveram que deixar temporariamente as residências e receberam da Secretaria de Assistência Social colchões, cestas básicas, água e material de limpeza.
Na Vila São Benedito, deslizamento de terra na rua Adolfo Lutz obrigou três famílias a deixarem suas casas. Seis pessoas foram levadas para a casa de familiares e outras seis foram encaminhadas ao ginásio de esportes municipal.
Segundo a prefeitura, também foram registrados deslizamentos de terra em quatro trechos da rodovia Domingos Sartori, que liga Botucatu ao distrito de Rubião Junior e ao campus da Unesp, próximo ao bairro da Cascata.
A Defesa Civil contabilizou ainda seis deslizamentos de terra na rodovia Alcides Soares, dois no entroncamento da Gastão Dal Farra com a Marechal Rondon e um na Antonio Butignolli, na entrada de condomínio universitário. Estradas rurais também foram bastante afetadas, sobretudo nas regiões do Piapara e Rio Bonito.
Em caráter emergencial, a prefeitura autorizou liberação de recursos para a construção de ponte na rua Duque de Caxias, em Vitoriana; obras de contenção na rua Antonio Américo Coutinho e reforço da Ponte do Salgueiro, às margens do Ribeirão Lavapés; e construção de ponte sobre o Rio Bocaina, em Piapara. As três obras estão orçadas em R$ 1,3 milhão.
Famílias são resgatadas em Bofete e Potunduva por equipe de Bombeiros
| Divulgação |
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| Moradores do loteamento Santa Terezinha tiveram que ser “resgatados” de barco em Bofete |
Ilhadas pela enchente, pelo menos duas famílias foram resgatadas na última terça-feira (12) pelo Corpo de Bombeiros e Polícia Militar (PM) em Bofete, região de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), e Potunduva, distrito de Jaú (47 quilômetros de Bauru).
Em Potunduva, os bombeiros foram acionados para resgatar idosa acamada em uma residência aonde a água atingiu cerca de 1,80 metro de altura após o transbordamento do Córrego Água Branca.
No local, também havia dez crianças e dois adultos, que conseguiram deixar o imóvel sozinhos. A mulher foi retirada do local em segurança e levada ao Pronto-Socorro (PS) da Santa Casa de Jaú.
Também em Potunduva, outros quatro imóveis ficaram alagados, mas não houve desabrigados. Em Jaú, foram registrados pontos de alagamento nos bairros Sempre Verde, Centro e Parque Bela Vista, às margens do Rio Jaú.
Em Bofete, cinco moradores de sítio no loteamento Santa Terezinha, ilhado após cheia do Rio do Peixe, foram resgatados de barco por bombeiros de Botucatu e policiais militares, com apoio de funcionários da prefeitura.
Itapuí
Em Itapuí (44 quilômetros de Bauru), 15 residências no bairro Mar Azul foram invadidas pela enxurrada. No Jardim Bica de Pedra, o Córrego do Robertão transbordou e a água inundou um bar. De acordo com o prefeito José Eduardo Amantini (PSDB), das 20h30 à 0h, choveu na cidade 150 mm.
Ele conta que a via de acesso à cidade para quem vem pela rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225) chegou a ficar temporariamente interditada em razão da queda de um barranco, mas já foi liberada ao tráfego.
Nessa quarta-feira (13), equipes da Secretaria de Obras e Defesa Civil trabalharam na limpeza das ruas e atendimento às vítimas. O Fundo Social de Solidariedade doou colchões para as famílias atingidas pela enchente.
| Fotos: Divulgação |
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| Duas pontes rurais, uma na BRO 372 e outra na BRO 464, foram destruídas com a força das águas |
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| A pista apresentou rachaduras e o local foi parcialmente interditado no sentido Torrinha |
Ponte caiu em Brotas
A chuva de terça (12) em Brotas (100 quilômetros de Bauru) fez estragos na área rural do município. O Córrego do Veado, no bairro Cabreúva, encheu e levou duas pontes rurais, uma na BRO 372 e outra na BRO 464.
Uma delas foi inteiramente destruída e a outra caiu no córrego. Segundo a prefeitura, o bairro Cabreúva apenas não ficou isolado porque existe um acesso através de uma propriedade rural.
Desde o dia 1 de janeiro choveu 170 mm em Brotas, 80 mm apenas no dia 12. A média histórica para o mês de janeiro é de 180 mm.
Ponte de Torrinha apresenta rachaduras
A Prefeitura de Torrinha (90 quilômetros de Bauru) irá notificar empresa responsável pela reconstrução da ponte sobre o Córrego Pinheirinho, na vicinal Cezarino Mariano, sentido bairro do Paraíso.
Após a forte chuva de terça, a pista apresentou rachaduras e o local foi parcialmente interditado no sentido Torrinha.
O bairro Paraíso é uma importante região de escoamento agrícola e de ligação com a cidade de São Pedro, além de concentrar atrações turísticas.


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