Política

Meta da Funprev de Bauru esbarra na inflação

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Pelo terceiro ano consecutivo, a Fundação de Previdência dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Funprev) não atingiu, em 2015, a meta estipulada para os rendimentos de suas aplicações financeiras, que era de 17,35% para o acumulado dos últimos 12 meses. A entidade, que atingiu o resultado de 10,49%, atribui o fato à disparada da inflação no País.

Isso porque a chamada meta atuarial é definida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acrescido de 6%. “Foi um ano em que ocorreram muitos fatos ruins na economia nacional, divulgados diariamente nos mais diversos meios de comunicação. O governo federal não conseguiu trazer a inflação para o teto da meta de 6,5% (fechou em 10,67%)”, alega a fundação em nota. Com o IPCA nas alturas, a meta para a fundação também ficou muito acima da média de 12,5%, apurada entre os anos de 2007 e 2014.

De qualquer forma, as aplicações financeiras da entidade, somadas às contribuições dos servidores municipais e dos órgãos públicos contratantes, renderam R$ 47 milhões ao longo do ano passado, elevando a carteira de investimentos da Funprev para o montante de R$ 427 milhões. Em dezembro de 2014, esse valor era de R$ 379,6 milhões. Esse dinheiro é o que garante a remuneração dos funcionários inativos e dos que ainda vão se aposentar ao longo das próximas décadas.

BALANÇO

João Rosan
Economista da Funprev, Diogo Nunes Pereira avalia os resultados como positivos em função do cenário econômico

Para o economista da Funprev, Diogo Nunes Pereira, o resultado das aplicações pode ser considerado positivo, mesmo sem o alcance da meta atuarial. “Foi um ano difícil, mais complicado que 2014 e, ainda assim chegamos a um percentual na casa dos dois dígitos”.

Ele explica ainda que a entidade conseguiu, em 2015, superar a meta gerencial para os rendimentos dos investimentos. Esta, diferentemente da regra do IPCA acrescido de 6%, previsto em lei, é fixada anualmente pela Política de Investimentos da própria Funprev.

Esta meta era de 9,14% e, segundo Diogo, traduz com maior exatidão a realidade do mercado, pois resulta da média ponderada de alguns índices de títulos públicos utilizados em aplicações dos regimes de previdência. “Ninguém alcançou os 17%”, frisa.

HISTÓRICO

Em 2014, as aplicações da Funprev renderam 10,83%, mas a meta era de 12. Em 2013, porém, o resultado foi negativo em 3,53%, ampliando o déficit do sistema previdenciário do funcionalismo público em R$ 45 milhões, que serão “cobertos” pela prefeitura e pelo DAE até 2046. O fato levou o Ministério Público a instaurar inquérito civil para apurar eventuais responsabilizações. A investigação, contudo, já foi arquivada pelo promotor Luís Gabos.

Por que as aplicações são importantes?

A discussão sobre o resultado das aplicações financeiras da Funprev parece burocrática e distante da maioria das pessoas, mas está relacionada a discussões importantes da cidade, que vão muito além da garantia do futuro de milhares de servidores públicos.

Quando os investimentos da entidade no mercado financeiro vão mal, a Receita Corrente Líquida (RCL) do poder público municipal é afetada. Foi o que ocorreu no segundo quadrimestre de 2014 e surtiu efeitos ao longo deste ano, quando o governo estourou o limite de gastos com salários imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

A legislação estipula como teto o índice de 51,3% sobre a RCL. Se este montante, no qual o dinheiro da Funprev é contabilizado, cai, o valor que pode ser destinado às despesas com folha de pagamento também diminui.

REPASSES

Além disso, até 2046, todos os anos a prefeitura terá que promover aportes extras aos cofres da Funprev para suprir déficits no regime previdenciário do funcionalismo municipal, gerados no passado. Só em 2016, serão R$ 17,3 milhões, sem contar os repasses das obrigações patronais. 

Quando as aplicações vão mal, esses valores já previstos pelo cálculo atuarial precisam ser reprogramados para garantir o equilíbrio do sistema. Isso implica na majoração dos recursos que saem do cofre geral da administração para cobrir o rombo da entidade.

Foi o que ocorreu, por exemplo, após o péssimo resultado de 2013, que culminou na ampliação em R$ 1 milhão a conta anual da prefeitura. Quanto mais dinheiro é destinado para este fim, menos resta para investimentos em saúde, educação e cultura, por exemplo.

INDEFINIDO

Economista da Funprev, Diogo Nunes Pereira diz que ainda não é possível saber se os resultados alcançados em 2015 implicarão ou não no aumento dos aportes extras para a Funprev. “Isso depende de outros fatores. Qualquer alteração na base remuneratório de servidores impacta”, explica.

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