Bairros

Soterrado, menino de 7 anos é salvo por vizinhos

Vinicius Lousada e Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 7 min

Fotos: Quioshi Goto
O pequeno e a mãe Adriana já depois dos cuidados médicos no Pronto Atendimento Infantil
Rafael, que ajudou a socorrer o menino, mostra ponto do soterramento e profundidade da cratera

Agora está tudo bem, mas Israel Messias Ferreira da Silva, de apenas 7 anos, pensou que não fosse sobreviver enquanto estava debaixo da terra, em uma grande erosão na rua onde mora, no Jardim Manchester. Na tarde dessa quinta-feira (14), o menino brincava com três colegas da vizinhança dentro do buraco, quando a terra cedeu e o soterrou.

A criança foi salva por três homens. Um deles, o pedreiro Rafael Fernandes Souza, 30 anos, relata que havia uma camada de aproximadamente 50 centímetros de terra sobre o garoto. “As crianças que estavam lá começaram a gritar e eu, como estava perto, fui o primeiro a chegar. Tirei o chinelo e pulei no buraco”.

Os homens demoraram cinco minutos para encontrar Israel, cavando com as mãos e com o auxílio de uma enxada. Nesse intervalo de tempo, a mãe do menino, Adriana Aparecida Ferreira, 45, também entrou na cratera, chamando pelo garoto. “Quando me disseram que ele estava debaixo de toda aquela terra, achei que tivesse morrido. Para piorar, desmaiei e, depois que acharam meu filho, ainda tiveram que me tirar de lá”.

No momento em que foi socorrido, Israel estava consciente, mas muito assustado e mal conseguia conversar. “Ele ameaçava até dormir, então fiquei falando com ele e não deixei ninguém mexer enquanto os bombeiros não chegassem”.

Já imobilizado, o menino foi levado pelo Corpo de Bombeiros ao Pronto Atendimento Infantil (PAI), onde ficou por algumas horas em observação após ter sido submetido a exames de raio-X. “Graças a Deus, está tudo em ordem. Meu filho nasceu de novo. Segundo os médicos, a sorte é que ele foi soterrado de bruços. Caso contrário, iria engolir e respirar terra”.

DESESPERO

Depois de ter recebido os primeiros cuidados e tomado um banho no PAI, Israel já caminhava normalmente e conversou com a reportagem.

“Lá debaixo da terra, eu ouvi minha mãe me chamar. Respondia, mas acho que ela não me ouvia. Eu estava passando mal. Não conseguia respirar. Tentava mexer minha mão, mas não conseguia”, lembra o menino, que garante: não voltará a brincar na erosão.

PERIGO

Secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues afirma que as equipes que trabalhavam nas proximidades da erosão alertaram as cerca de 15 crianças que brincavam no local sobre o risco de acidentes.

“Elas estavam desacompanhadas dos responsáveis e acabaram indo brincar em outro barranco, mais distante de onde os serviços estavam sendo realizados, quando o desmoronamento aconteceu”, pontua. Ele frisa que erosões acima de 1,25 metro de altura já oferecem risco à vida, conforme definido em norma técnica.

Ajuda a famílias

A Sebes solicita a colaboração da população para ajudar as famílias atingidas pelas chuvas.
A pasta destaca a necessidade da doação de móveis usados (armários de roupas, de cozinha, camas) e eletrodomésticos, tais como geladeiras, fogões e outros em boas condições de uso.

As doações podem ser entregues na sede da Sebes, que fica na rua Alfredo Maia, quadra 1, de segunda à sexta-feira, das 8h às 16h30. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3227-8624.

Resgate atolou

A erosão na quadra 9 da rua Jorge Street, na qual Israel caiu, formou-se após a tempestade da noite de terça-feira, segundo moradores. A condição das ruas do Jardim Manchester, não asfaltadas, é precária. Tanto é que a viatura do Resgate ficou atolada no caminho para o local do acidente, o que explica a demora para a chegada do socorro.

O veículo só conseguiu seguir após a intervenção de máquinas da Secretaria de Obras que trabalhavam no bairro e recuperavam outra erosão na rua paralela à da cratera onde o garoto foi soterrado.

Além de vias intransitáveis, parte do bairro sofre com a falta de energia há três dias por conta da queda de postes. “A gente perdeu tudo o que tinha na geladeira. A CPFL até veio aqui, mas disse que não consegue consertar enquanto a prefeitura não acertar o solo”, conta o morador Rafael Souza.

Acessos prejudicados seguem com interdições

A ponte sobre o Rio Batalha na rodovia municipal Elias Miguel Maluf, a Bauru-Piratininga, segue interditada por tempo indeterminado. Na noite do último dia 12, conforme o JC divulgopu, dois carros caíram na erosão que se formou no local, deixando três pessoas feridas, sendo que duas ainda permanecem internadas.

Segundo a assessoria de imprensa da Famesp, Carmen Silvia Sacramento Arroyo continua em tratamento na UTI do Hospital de Base e seu estado de saúde é considerado estável. Ela seria submetida a nova cirurgia ortopédica ainda nessa quinta. Já Luiz Manoel Ilhesca, que conduzia um Mercedes Benz na companhia de Carmen, segue internado em leito clínico com previsão de passar por cirurgia ortopédica hoje. Seu estado de saúde também é considerado estável.

As interdições parciais permanecem inalteradas na Bauru-Marília, que teve parte da cabeceira da ponte sobre o Rio Batalha levada pela força da água. Já na rodovia João Baptista Cabral Rennó (SP-225), a Bauru-Ipaussu, a Cart informou que suspendeu o regime de “Pare e Siga” nas proximidades do quilômetro 242 mais 500 metros.

Como os danos atingiram a cabeceira da ponte no sentido Bauru-Piratininga, o trânsito em em ambas as direções agora flui na pista do sentido Piratininga-Bauru. Da mesma forma, a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294) segue com as pistas interditadas no sentido Marília-Bauru, na altura da ponte do Cedro.

Segundo o Policiamento Rodoviário, a chuva dessa quinta não agravou a erosão que se formou no trecho e o fluxo permanece sendo desviado para a pista do sentido Bauru-Marília, que opera nas duas mãos de direção para garantir o tráfego de veículos.

Aceituno Jr.
ACIDENTE - Na noite dessa quinta (14), um motociclista se feriu após seu veículo, uma Honda Titan, cair em um buraco na avenida Comendador da Silva Martha, Jardim Estoril. Segundo informações preliminares, ele teve ferimentos na cabeça. O buraco não estava sinalizado

São Sebastião precisa ser interditada

A forte pancada de chuva que voltou a atingir Bauru, nessa quinta (14), ampliou os estragos . Uma das situações mais graves é a da quadra 2 da rua São Sebastião, transposição do Córrego da Grama, que foi interditada às 19h do mesmo dia, por tempo indeterminado, em razão do alto risco a motoristas e pedestres.

Atingida por uma erosão que engoliu parte do asfalto e do sistema de galerias, a via dá acesso a diversos bairros da região Noroeste da cidade, como o Jardim Rosa Branca, Jardim Prudência, Nova Esperança, Núcleo Habitacional Edson Francisco da Silva, Parque Jaraguá e Jardim Andorfato.

Para quem precisa se trafegar da Vila Falcão até estes locais, uma alternativa é seguir pela rua Carlos de Campos, rua Daniel Pacífico, rua Primeiro de Maio, rua Carlos Marques, rua Santos Dumont, avenida Pinheiro Machado, até a rua São Sebastião. Outra opção é acessar a rua campos Salles, avenida Elias Miguel Maluf, avenida Waldemar Guimarães Ferreira, avenida Pinheiro Machado, até a São Sebastião.

“Faremos a intervenção o mais rápido possível, ainda nesta sexta se as condições do tempo permitirem, porque corremos o risco de perder aquela passagem”, avalia o titular da Secretaria Municipal de Obras, Sidnei Rodrigues.

Os serviços para reparo da erosão na quadra 2 da avenida Comendador Daniel Pacífico tiveram de ser interrompidos e a via, no sentido Falcão-Bela Vista, segue interditada.

Mais chuvas

Segundo o IPMet, a previsão é de chuvas até sábado em Bauru, com tendência de mudança somente no domingo. “Os sistemas meteorológicos [que provocaram precipitações contínuas] já estão entrando em fase de dissipação, o que deve deixar o tempo estável a partir do dia 17, mas ainda com possibilidade de pancadas isoladas principalmente no final da tarde”, detalha o meteorologista José Carlos Figueiredo.

Somente nos primeiros 14 dias do mês, choveu 304,8 milímetros na cidade, volume acima do registrado em janeiro inteiro nos últimos quatro anos. Segundo Figueiredo, ainda neste mês, há probabilidade de haver nova sequência de dias chuvosos em Bauru.

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