| Alex Mita |
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| Romeu perdeu tudo o que tinha na geladeira: “Estragou o feijão e tive que jogar a carne fora” |
Os blecautes de longa duração viraram rotina em Bauru. Basta chover que vários pontos da cidade ficam “às escuras”. O problema, em vários casos, perdura por mais de um dia. Morador do bairro rural Águas Virtuosas, o aposentado Romeu de Campos Fabri, 79 anos, enfrentou blecaute de 42 horas.
O problema na casa dele começou às 18h de terça e só foi solucionado ao meio-dia da última quinta-feira (14). Sem energia, a bomba elétrica do poço artesiano que abastece a região não funcionava e, além de ficar no escuro, Romeu também não tinha água em casa. Resultado: precisou percorrer 20 quilômetros para tomar banho em outra residência, que fica no Centro de Bauru e que ainda tinha água naquele dia.
“Minha esposa trabalha em Bauru e mantemos uma residência lá para que ela não precise voltar sempre para o Águas Virtuosas. Para garantir um simples ato de higiene básico, tive que andar toda essa distância”, critica, acrescentando que perdeu todos os alimentos que estavam na geladeira. “Estragou o feijão e tive que jogar a carne no lixo”.
Conforme o JC noticiou, depois da forte chuva que atingiu o município entre a noite de terça e madrugada de quarta - e registrou ventos de até 48 quilômetros por hora -, 7 mil imóveis ficaram sem energia em Bauru. Houve relatos de desabastecimento em outros bairros como o Jardim Estoril e Chácaras Vale São Luiz.
‘Perdi o entusiasmo’
Segundo o aposentado Romeu Fabri, o problema de falta de energia no Águas Virtuosas é crônico. A casa dele, que fica na rua Alcides Concuruto, é “alvo” frequente. “Acontece direto. Nem sei como expressar a minha indignação. Já perdi todo o entusiasmo de morar aqui”, lamenta. “Minha filha veio passar as férias com a gente e está sem TV, sem Internet. Belas férias a dela, não!”, ironiza.
Segundo Romeu, um transformador teria queimado e causado todo o transtorno. Ironicamente, trata-se do mesmo equipamento que ele doou à CPFL, quando a concessionária assumiu a linha no local. “Quando era de minha responsabilidade, não acontecia esse descaso”.
‘Arregaçar as mangas’
O aposentado Jesus Francisco Garcia, 60 anos, também ficou “às escuras” depois da chuva. No caso dele, que mora com a esposa na alameda Das Carpas, Vale do Igapó, foram 48 horas sem energia. Para solucionar o problema, moradores do bairro fizeram uma “vaquinha” e contrataram um eletricista. “Tivemos que arregaçar as mangas, pois, se fossemos esperar pala CPFL, estaríamos enrolados”, criticou Jesus.
As respostas da CPFL
Em nota enviada ao JC, a CPFL Paulista informou que, com relação ao problema no bairro Águas Virtuosas, “não foram localizados eventos nem nas proximidades, podendo tratar-se de problema interno da unidade consumidora”.
Já sobre o caso do bairro Vale do Igapó, a concessionária destacou que a interrupção ocorreu por conta das fortes chuvas e que “as equipes encontravam-se a caminho para repor os equipamentos avariados e restabelecer o fornecimento o mais rápido possível”.
Não foi, contudo, o que relatou o aposentado Jesus Francisco Garcia, que, consultado ontem pela reportagem, alegou que o reparo foi mesmo realizado por eletricista contratado pelos moradores do bairro.
