Ao buscarmos referências históricas do processo de democratização da escola, podemos identificar “a adoção histórica de uma determinada lógica político-pedagógica voltada para a ampliação das oportunidades educacionais, por meio da inclusão de etapas e modalidades educativas, sem fazer avançar, contudo, a adjetivação da qualidade pretendida.”
A acelerada e necessária democratização da escola pública em finais do século XX gerou enormes impactos no sistema como um todo e consequentemente, na qualidade da escola. O que antes era privilégio só da elite passou a ser oportunizado aos menos abastados. A educação escolar também obteve um maior papel de proteção social, mas, apesar do acesso á escolarização, elementos fundamentais para a eficiência e eficácia da democratização escolar no Brasil, como formação de professores, currículos adequados e contextualizados, infraestrutura, dentre outros, precisam ser viabilizados.
A função social se amplia a fim de converter-se em centro privilegiado de educação, cidadania e cultura. A escola, enquanto instituição ética e socializadora , consiste num dos principais meios para a formação crítica e cidadã. Sendo assim, para o exercício dessa incumbência a escola precisa assegurar a realização de atividades que possuam relação com todos os aspectos que envolvam a tarefa maior da escola que é a qualidade em educação.
Sabemos que a cultura escolar elaborada nos dois últimos séculos, ao mesmo tempo em que buscou convencer ao conjunto da população que a escola era o melhor lugar para a socialização das novas gerações, tornou, por outro lado, fundamental que a família participasse ativamente do acompanhamento escolar de seus filhos.
É preciso considerar também que a escola somente será de qualidade se houver um efetivo engajamento não apenas dos pais e da sociedade como um todo, mas dos próprios alunos, pois, sem alunos interessados não há escola de qualidade.
Em contrapartida, como cita o filósofo, mestre e doutor em Educação, Mário Sérgio Cortella , “A qualidade do ensino tem de melhorar e ascender a uma sólida base científica, de formação de cidadania e de solidariedade social. Isso exige um contrato de condições de trabalho diferente para os educadores e um sistema nacional de formação docente”.
Na verdade, em se tratando da proposição de uma escola de qualidade, deveríamos sempre desconfiar de toda ação que enfatize a formação de professores e a reforma curricular sem que estas sejam antecedidas de uma efetiva melhoria salarial e das condições de trabalho do professorado. “É preciso considerar que, em boa parte, os professores não fazem mais e melhor pela escola pública porque isso é humanamente impossível nas condições em que trabalham e vivem. E, por outro lado, não podemos esquecer que é impossível fazer escola de qualidade sem professor interessado.”
Qualidade remete ao bom predicado, a um diferencial, á uma melhoria na vida das pessoas. Na educação a qualidade está ligada diretamente ao cumprimento efetivo de seu objetivo que é oportunizar o conhecimento em todas as suas vertentes.
Penso que, cabe ao governo investir em política educacional de qualidade, garantindo condições adequadas de trabalho e salário, programas de capacitação e a adoção de uma gestão participativa e democrática.
Assim é direito e dever de todos os segmentos sociais, que buscam e acreditam numa sociedade democrática, exigir o cumprimento e realização das funções primordiais da educação garantidas em lei. Sendo importante a participação nas decisões relativas aos rumos, diretrizes e organização.
Portanto, acredito ser possível uma escola pública de qualidade, mas faço minhas ressalvas no sentido de que a sociedade deva mobilizar-se para a importância que a educação exerce e, exigir do poder público, condições para a garantia da qualidade de ensino, como obrigação do Estado.
O apoio aos profissionais da educação, acima de tudo, ao professor e sua valorização profissional caracteriza-se fator primordial nesta busca pela qualidade na educação, visto que, suas necessidades e anseios se entrelaçam com os problemas e entraves intraescolares, como por exemplo: salas lotadas, ambiente educativo precário, tipo e condições de gestão que gerem autonomia da escola; satisfação e engajamento da comunidade escolar, participação familiar e, por fim, articulação com políticas públicas de inclusão e de resgate social aliado á boa vontade política.
O importante é como diz Mário Sérgio Cortella: “A educação está em constante movimento e não combina com repouso”. Conscientização e mobilização para conquistarmos o melhor!