Tribuna do Leitor

Coxinha de frango

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Li no JC deste domingo último matéria sobre a jovem que cumpre pena no presídio em Pirajuí por tráfico de drogas. Entre tantos aspectos, vê-se que o perfil da população carcerária também está mudando.


E que a mítica de que a cadeia seria para o ser humano o que mais se assemelharia ao inferno poderia também estar se desconstruindo. Isso segundo o relato da jovem, presa desde 2012, sendo o Natal passado sua primeira “saidinha” para passar com seus familiares.


No seu relato, ela diz que não fosse o cárcere ter-lhe imposto o rompimento do consumo de drogas, que ela consumia de vários tipos e em quantidade razoável, certamente já estaria morta.


Mas tudo isso, ao meu ver, poderia ser evitado se as pessoas, de um modo geral, mudassem o conceito do “ser feliz”. Que entendessem que esse estado de felicidade não se perdura, ou seja, não seria algo permanente, e sim um ciclo intercalado com as amarguras da vida.


Aí, deveriam ser levadas em consideração as depressões, uns com mais, outros com menos, mas atribuídas a todos nós. Falta a nós, às vezes, as motivações necessárias para seguirmos adiante sempre com a mesma força e intensidade.


Entram nessa fase as milagrosas fórmulas de felicidade, às vezes em garrafas, pó, comprimidos, enrolados e tantos outros formatos. Mesmo porque, encarar a vida de cara limpa não seria trabalho, como dizem para amadores.


Chegando também aos bens de consumo, como carros, casas e as tecnologias novas, efêmeras e caras. Tudo isso, é lógico, o dinheiro pode comprar. Resta-nos evitar os caminhos mais fáceis e nos apegar nos mais difíceis, porém mais seguros.


É preciso saber sempre que a felicidade é irmã da infelicidade, são as partes de uma mesma moeda, a vida é o que temos de mais precioso. E que às vezes procuramos tão longe pelos momentos felizes para, no fim, descobrirmos que ele esteve o tempo todo ali, na coxinha de frango do “Bar do Bigode”.

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