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Ano novo, problemas velhos

Paulo Cesar Razuk
| Tempo de leitura: 3 min

A humanidade está inserida num processo acelerado de mudanças climáticas que tem repercussão nos aspectos político, econômico, social, científico, tecnológico e cultural. Estamos, portanto, vivendo o início de uma era onde todos os setores da sociedade precisam, primeiro, ter consciência de que isto está acontecendo e em segundo, se adaptar a estas mudanças.


As tragédias decorrentes do aquecimento global já estão aí, se tornarão cada vez mais violentas e se repetirão com mais frequência. Pode-se então considerar que, face a essa nova realidade, toda nossa infraestrutura está envelhecida, e por isso vulnerável.


Ano novo, problemas velhos, não pela pouca informação técnica transmitida na graduação das escolas de Engenharia, mas muito mais pela falta de investimento na adequação dessa infraestrutura aos novos parâmetros que a natureza nos impõe. Tudo o que temos presenciado e que a imprensa noticia mostra bem o processo de deterioração gradual e, por isso, menos perceptível, por que passa a infraestrutura no Brasil.


Uma rápida análise destes graves problemas estruturais que nos afligem indica que eles não requerem uma ciência de ponta para sua solução. Hoje, todo curso de Engenharia é avaliado e principalmente nas universidades púbicas, o rol das disciplinas que fazem parte do curso ajusta-se aos novos desafios da ciência e da tecnologia. Portanto, a Engenharia de que dispomos neste momento pode, num contexto social menos perverso, dar conta destes problemas de forma satisfatória. Neste sentido, a semelhança do que acontece na Europa e Estados Unidos, as normas brasileiras precisam, com mais agilidade, atualizar os parâmetros de projeto adequando-os a essa realidade mais agressiva.


Ano novo, problemas velhos, não pela pouca informação técnica transmitida na graduação das escolas de Engenharia, mas, muito mais pela tolerância descompromissada de políticos que negociam propinas em prejuízo da obra, do próximo, da vida, de valores ético-morais e do meio ambiente.


Ano novo, problemas velhos, não pela pouca informação técnica transmitida na graduação das escolas de Engenharia, mas, muito mais pela inércia e irresponsabilidade do governo central que, passado o impacto inicial de vidas perdidas e a devastação de patrimônios tão duramente conquistados, retoma a rotina.


Agora, mais do que nunca, a educação, o conhecimento e a informação têm papel central. Assim, os países que aspiram crescer e oferecer qualidade de vida precisam investir, substancialmente, no sistema educacional elevando a preparação de recursos humanos ao nível mais alto possível. Mesmo porque, não se pode esperar que os primeiros a entender estes problemas sejam os analfabetos; nem os que apenas tiveram alguns anos de escolaridade ou os que cursaram o ensino fundamental completo; nem tampouco os que apenas fizeram alguns anos do ensino médio e que por razões diversas não puderam concluí-lo e que formam a grande maioria da população brasileira.


Infelizmente, ao se observar este quadro, pode-se afirmar que aqui a educação continua subfinanciada e o povo sub educado. Este é o principal motivo do fenômeno contemporâneo da indiferença e que nos impede de enxergar a grande transição pela qual passamos.


O autor é professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp - Campus de Bauru SP

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