| João Rosan |
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| A praça no dia 29 de novembro, quando os tapumes foram retiradas de seu entorno |
Motivo de muita polêmica desde a retirada de tapumes que, durante meses, cercou o coração do Centro da cidade, a obra de reforma da Praça Rui Barbosa, concluída em dezembro do ano passado, motivou a abertura de inquérito civil pelo Ministério Público. A investigação será conduzida pelo promotor Fernando Masseli Helene.
Como noticiado pelo Jornal da Cidade, muita gente se surpreendeu negativamente com o resultado das intervenções no local. Alguns entrevistados, como Cícero Gonçalves Fernandes, 62 anos, pontuaram que identificaram poucas mudanças por lá.
Até o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) chegou a admitir não ter ficado 100% satisfeito, pois esperava uma praça mais arborizada, mas ponderou as críticas. “Devemos lembrar de que não planejamos uma praça nova, mas sim uma revitalização que mantivesse os moldes originais do espaço”, declarou em entrevista publicada no dia 29 de novembro.
À época, vereadores também colocaram o dedo na ferida, pontuando ainda que a conclusão das obras sofreu atraso de três meses e que o contrato ficou 15% mais caro, resultando no custo total de R$ 653.958,45, por conta de serviços extras incluídos em aditivo autorizado pela Secretaria de Obras.
A empresa que executou a primeira obra na Rui Barbosa em 23 anos foi a Astolfi Construtora, que providenciou a recuperação completa dos sanitários, recolocação dos domos acrílicos na cobertura, adaptação dos sanitários para acessibilidade de pessoas deficientes e/ou com mobilidade reduzida, pintura externa dos sanitários e remodelação do piso mosaico de pedra portuguesa. Além dos serviços previamente definidos, foram incluídas nas obrigações ajustes extras, como a pintura dos postes, bancos e grades do local.
FOCO
| João Rosan |
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| Promotor da Cidadania, Masseli Helene, conduzirá as apurações |
Na portaria de instauração do inquérito, Masseli Helene justifica a apuração após denúncias de que os serviços foram realizados sem a qualidade esperada “e ainda de forma superfaturada, sem a total confecção daquilo que havia sido contratualizado com a empresa”.
O promotor já determinou que sejam oficiados o prefeito Rodrigo Agostinho e a Astolfi para que as partes apresente as informações que entenderem necessárias.
À administração municipal, ele solicitou a remessa de toda a documentação pertinente à contratação da obra.
Confusão
O Secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, afirma que, em tese, não há como ocorrer superfaturamento na obra da Praça Rui Barbosa porque todos os itens do contrato foram cotados com base na planilha de preços utilizada pela Caixa Econômica Federal (CEF), procedimento obrigatório em contratos pagos com recursos da União.
“Estou confiante de que tudo não passa de especulação”, diz ele sobre as denúncias, de representação de autoria do cidadão Pedro Valentim.
Sidnei acredita que parte da população recebeu mal o resultado das intervenções no local porque esperava “uma mega praça”, que não era a proposta do projeto elaborado.
Onde foi utilizado todo o dinheiro?
Em meio à tamanha frustração entre os bauruenses após a conclusão da reforma da Rui Barbosa, o Jornal da Cidade publicou reportagem no dia 6 de dezembro tentando responder a uma pergunta que não saía da cabeça da população: Para onde foi o dinheiro empregado na obra?
O levantamento apontou que, só em instalações elétricas, foram gastos R$ 235.584,86. Na passarela e nas escadarias, foram empregados R$ 114.486,30. A recuperação de parte do piso custou R$ 111.639,39. As intervenções nos banheiros levaram R$ 55.568,63 e, no coreto, R$ 10.199,24. Para serviços complementares e administração do canteiro, foram destinados, respectivamente, R$ 101.622,83 e R$ 24.857,20.
A matéria questionou, no entanto, algumas escolhas, como o altíssimo investimento na iluminação do chafariz em detrimento da troca do piso de toda a praça.
“A praça tem 5 mil metros de pedra portuguesa. E isso não foi trocado. Foram pontos isolados que foram feitos. E, como a área é enorme, ficaram os desníveis. Isso, associado a alguns defeitos que terão de ser refeitos, gerou essa frustração”, admitiu, na ocasião, o secretário Sidnei Rodrigues.

