| Fotos: Malavolta Jr. |
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| Rachaduras na casa de Vanderci Costa de Oliveira |
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| Márcia pede para que moradores reclamem na Caixa |
Nem a amarração feita pelo servente de pedreiro Vanderci Costa de Oliveira, 43 anos, foi suficiente para conter as grandes rachaduras que surgiram em sua casa nos últimos meses. Não bastasse, a tempestade que assolou Bauru na semana passada pirou a situação, não só na casa dele, mas de outras dezenas de moradores do Conjunto Habitacional Jardim Ivone.
Contemplados pelo Minha Casa, Minha Vida (MCMV), em 2011, eles alegam que parte dos imóveis está apresentando problemas estruturais, que podem ser visualizados por meio de grandes trincas em paredes, principalmente aos fundos dos imóveis.
“Até desisti”
Algumas casas, como a de seu Vanderci, localizada na parte alta da rua, estão com o chão cedendo, próximo a um muro de arrimo, causando riscos para outras moradias.
Do projeto do terceiro quarto aos fundos da casa sobrou apenas o “esqueleto” de algumas paredes. “Eu ia ampliar, mas até desisti, não dá para fazer benfeitoria nenhuma porque está tudo cedendo. Eu acho que estou até correndo riscos aqui, mas não tenho para onde ir”, reclama o servente de pedreiro, morador da quadra 5 da rua Alfredo Gonçalves de Abril.
Fernando Ferraz, 26 anos, morador da quadra 3 da mesma rua, também diz ter perdido a paciência. “Faz dois anos que isso está acontecendo aqui. E, com a última chuva, tudo piorou. As trincas estão aumentando, assim como as erosões no fundo do quintal, porque aqui não tem nem galeria, então algumas casas alagam”, aponta o ajudante geral.
A mesma apreensão é vivida por Terezinha Costa, 41 anos, na quadra 3 da rua Rosângela Vieira Martins de Carvalho. “Já perdi até guarda-roupa. O nível da casa é menor que o da rua, então a água entra, vira e mexe entra até esgoto”, acrescenta.
Todos eles e outras dezenas de moradores integram uma lista organizada pela auxiliar de cozinha Márcia Leite dos Santos, 43 anos, também residente ali. “Estou pedindo para que todos entrem em contato com a Caixa. Se der outra chuva tem casa que pode até ruir”, afirma.
Desfavelamento
O residencial é composto por 132 casas e foi construído pela empresa Gobbo Engenharia, que faliu há alguns anos. Foi resultado de um projeto de desfavelamento na cidade e um dos primeiros pontos contemplados pelo programa do governo federal.
As casas, obtidas por meio de demanda dirigida, abrigam famílias que viviam em área ambiental às margens do Jardim Ivone. “Nossa vida melhorou muito, só que no meu barraco eu arrumava madeiras e pregava. Na alvenaria é mais difícil consertar, e não podemos mexer na casa porque tem seguro”, afirma Márcia.
Os moradores prometem uma reunião no bairro para discutir o assunto nesta sexta-feira (22). O encontro é organizado por Rafael Borges e Fernando Vieira, que são integrantes da ONG Amigo Solidário,
Terão prioridade
Responsável pelos imóveis, a Caixa Econômica Federal informou, por meio de nota que, desde o dia 15 de janeiro, já avaliava os projetos necessários para a recuperação dos muros de arrimo e o reparo das infiltrações do residencial. “As ocorrências registradas pelos moradores no Canal de Olho na Qualidade estão em tratamento e os reparos necessários nas unidades habitacionais terão prioridade”, diz a Caixa.
O banco diz que irá realizar a contratação de empresa especializada para fazer os reparos apontados após a falência da Gobbo.
Serviço
A Caixa disponibiliza um canal exclusivo aos beneficiados do MCMV para dúvidas, reclamações, elogios ou sugestões: 0800-721-6268. A ligação é gratuita.
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