Polícia

Filha salva mãe de fraude e faz alerta aos bauruenses

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Alex Mita
“Golpe da ação previdenciária” quase gerou prejuízos a uma aposentada de 89 anos

Uma modalidade de golpe que já fez vítimas no passado volta a ameaçar aposentados de Bauru. Eles são procurados pelos estelionatários por meio de carta, que informa a vitória em uma ação coletiva, com direito a receber quantias significativas em dinheiro. Quando o aposentado faz contato com o golpista, é extorquido para que a falsa liberação dos valores seja efetuada.

Nesta semana, uma aposentada de 89 quase foi vítima da fraude e só não foi lesada porque a filha abriu a carta antes e, desconfiada, procurou a ajuda de uma advogada. O documento enviado para o endereço residencial da idosa informava que ela tinha R$ 66.789,50 a receber por uma suposta ação movida contra instituições previdenciárias, como Capemi, Ipesp, Caixa Seguradora S/A, Montepio Mongeral da Família Militar e Caixa de Pecúlio dos Militares.

Para dar credibilidade ao texto, a “notificação” continha o Brasão de Armas do Estado de São Paulo e era assinada, falsamente, pelo setor de cartas precatórias cíveis do Fórum Hely Lopes Meirelles, de São Paulo. Como a aposentada, no passado, já havia ingressado com algumas ações trabalhistas, a filha cogitou a possibilidade de o documento ser verdadeiro, mas desconfiou de outras informações e decidiu consultar uma advogada.

“O primeiro estranhamento foi a notificação ter chegado por meio de carta comum e a ação estar relacionada a uma instituição militar, que não tem nada a ver com a carreira da minha mãe. Depois, notei que nem mesmo foi informado o nome do advogado e a vara onde o tal processo estaria correndo”, conta a filha da aposentada, que preferiu manter a identidade preservada.

O texto informava, ainda, que o pagamento da indenização seria feito por transação bancária, condicionado ao depósito de “custas processuais” no valor de R$ 4.290,00. O “agendamento” para receber os valores, contudo, teria de ser feito por um dos telefones informados na carta. Por segurança, a mulher decidiu não ligar para os números e adiantou que registraria boletim de ocorrência na Central de Polícia Judiciária (CPJ).


Inconsistências
Segundo o advogado Hudson Cardoso, que atua na área cível, criminal e do direito do consumidor, este tipo de golpe é bastante comum contra aposentados e, geralmente, praticado por quadrilhas que têm acesso a dados daqueles que possuem ações judiciais em andamento.

“Quando a vítima faz contato por telefone, o estelionatário informa que o valor está bloqueado na Justiça, dependendo do pagamento das custas processuais para liberação”, comenta, destacando que o pagamento de custas nunca ocorre no momento do recebimento de indenizações.

Outro detalhe que levanta suspeita imediata é o fato de a “notificação judicial” ter sido informada por carta, enviada diretamente ao beneficiário. “Não é um procedimento comum. Normalmente, o advogado é informado pelo Judiciário e entra em contato com o cliente. Por ser um golpe frequente, a recomendação, sempre, é checar as informações”, observa.


Erros

Apesar da tentativa de usar uma linguagem rebuscada para confundir e convencer a vítima, os estelionatários quase sempre “derrapam” no português, em demonstração clara de que este tipo de carta realmente não é legítimo. Os “tropeços” mais comuns são erros de concordância, como “foram descontado” e “guias e demais documentação”, que constam na notificação enviada à aposentada.

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