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As chamadas cervejas artesanais são aquelas produzidas em pequenas escalas. Mas com um cuidado de indústria grande também. O termo designa uma bebida fabricada com uma visão mais artística onde o sabor é priorizado.
Segundo os apreciadores, as cervejarias artesanais focam a qualidade de seus produtos. E, embora estejam se proliferando no Brasil há apenas algumas décadas, as suas regras de produção são tradicionais e centenárias. A maioria respeita a chamada “Lei da Pureza Alemão”, do século 15. Nela, previa-se apenas a utilização de água, lúpulo e cevada sem adição de conservantes e outros produtos químicos.
É preciso ressaltar que os ingredientes que compõem a bebida são importados, nobres e selecionados. Muitas vezes são trazidos de países europeus, que se destacam no cultivo da matéria-prima cervejeira.
O período de fermentação e maturação da cerveja artesanal acontece sem pressa, ou seja, não são adicionados produtos químicos para acelerá-lo.
Por serem diferenciadas, saborosas e marcantes, as cervejas artesanais se tornam relativamente mais caras. No entanto, os apreciadores afirmam que valem o que custam e atendem as expectativas dos paladares mais exigentes. E mais: é nas artesanais que as experimentações são feitas, como as mais frutadas.
Trigo
É preciso deixar claro também que há nelas um ingrediente especial: o trigo. E os bons apreciadores fogem das chamadas “cervejas de milho”. Em geral, o cervejeiro artesanal tem o puro malte na sua composição e só usa ingredientes que, juntos, vão melhorar o sabor e não diminuir o valor do malte.
O consumo delas está crescendo, ainda que não a passos tão largos como as industriais, mas todos os grandes supermercados já têm um espaço destinado às artesanais.
‘Cerveja boa só não combina com gente chata’
O cervejeiro Antonio Tonon é uma espécie de “faz tudo”, “Professor Pardal”, misto de engenheiro, inventor e curioso. Há alguns anos, resolveu usar um espaço que antes era ocupado por fornos de uma padaria para, ele próprio, produzir a sua cerveja. “Pelo prazer mesmo de fazer algo que gosto, para mim”, justifica.
O resultado deu tão certo que, agora, ao menos uma vez por mês, ele abre a “Garagem do Tonon” para os amigos degustarem suas experimentações.
Claro que as reuniões dependem da produção, porque cada “safra” leva, pelo menos, 30 dias para ficar pronta. Isso na melhor das hipóteses. São oito horas de maturação no primeiro dia, quando os ingredientes são misturados. Depois de cinco a 15 dias de fermentação. Mais dez dias de maturação e a segunda fase da fermentação leva outros 15 dias.
Depois vem o envase e, só então, após gelar, começa a degustação.
Todas as garrafinhas ganham selo de “Tonon” e também a identificação das experimentações que ele faz. Inventa uma infinidade de sabores. Tem, como não poderia de ser a um ex-dono de padaria (e padeiro também), “cerveja de pão”.
“Produzir cerveja é uma questão de ciência, arte, alquimia. Já fiz 137 receitas diferentes. O limite é sua imaginação”, destaca, finalizando, bem-humorado, com uma receita imbatível: “Cerveja boa só não combina com gente chata”.
Copos podem fazer a diferença
Cervejas claras, de trigo, pedem copos tipo tulipa. Para servir, o copo tem que estar em um ângulo de aproximadamente 45 graus. Sirva em um único movimento, endireitando o copo gradualmente e permitindo que a espuma se forme.
Cervejas rosadas mais encorpadas devem ser servidas em canecas de vidro. Sirva de modo suave, de forma constante e bem lentamente. Endireite a caneca quando tiver servido um terço da bebida e só então coloque o restante para que o colarinho se forme. Os britânicos e alemães, por exemplo, usam também copos altos, largos, com um anel saliente e que auxilia na formação do colarinho de espuma.
Cervejas pretas se dão melhor com taças, copos redondos com pés. Devem ser servidas em duas partes. A primeira com o copo a 45 graus até a metade. Depois que a espuma assentar, aí sim vai o restante. Ela vai ter um colarinho mais denso, mais cremoso.
Você sabia?
No Brasil, a cerveja só chegou a ser produzida a partir de 1.800, trazida por nobres da família real portuguesa que, igualmente, trouxeram o malte. E, hoje, segundo o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), o Brasil está entre os dez maiores países consumidores/per capita. O Brasil é, em volume, o segundo maior produtor mundial, só perdendo para a China. Vale lembrar que o País também exporta a cerveja e que, desde 2014, a companhia Ambev é o maior gigante produtor de cerveja do mundo.
| Aceituno Jr. |
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| As chamadas cervejas artesanais são aquelas produzidas em pequenas escalas |

