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Dia da Gula é hoje: resistir ou se render às tentações?

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Douglas Reis
As vitrines das lanchonetes seduzem aqueles que apreciam uma boa guloseima e não abrem mão de comer por regimes
De segunda a sexta, Osvaldo procura resistir às guloseimas: “Aos finais de semana, porém não existem regras”, alega ele
Regimes passam longe do comerciante Álvaro Antonelli Junior: “Quando me dá vontade, eu como sem remorso”, conta ele

Influente escritor, poeta e dramaturgo britânico, Oscar Wilde certa vez definiu: “A única maneira de livrar-se de uma tentação é render-se a ela”. Hoje, no Dia da Gula, a célebre frase pode servir como justificativa para muita gente que pretende sair do regime e abusar das delícias engordativas, cada vez mais presentes no dia a dia da população.

Afinal, ainda que a pessoa seja regrada e disciplinada na alimentação, em certos dias se torna quase que impossível resistir àquela pizza bem recheada, salgados suculentos ou mesmo um (inofensivo?) docinho, que fica ali na prateleira de lanchonetes e docerias, praticamente implorando para ser consumido.

Não se sabe, entretanto, porque o dia 26 de janeiro foi eleito para esta comemoração - ou seria uma data para se controlar na alimentação? Certo é que, na Bíblia, a gula (excesso na comida e bebida) é um dos sete pecados capitais (gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e vaidade).
Certo também é que, cada vez mais, somos tentados a cair nesta “heresia”. Claro que sem culpa, como quem sabe aproveitar, de forma saudável, as delícias do dia a dia. É caso da secretária Aline Andressa Marcolino, 26 anos, que ontem saboreava suculenta torta de frango em uma lanchonete do Centro de Bauru.

“É muito raro eu comer salgado na rua, mas na hora que estou com fome, como sem me preocupar”, disse, revelando que o mais difícil, para ela, é resistir aos doces. “Se não tiver em casa, vou ao mercado para comprar. Dou um jeito, mas não passo vontade”, brinca, ao lado da irmã Ariele Rodrigues, 18 anos, que age um pouco diferente.

“Só como coisas engordativas quando estou acompanhada de alguém. Procuro me controlar e, no caso de salgados, priorizo os assados. Também não gosto de doces, então isso não é problema”, pondera Ariele. “O que minha irmã não come, eu como por ela”, brinca Aline, em tom descontraído.

Na mesma lanchonete, a balconista Patrícia Gavioli, 24 anos, revelou: “A maioria pede fritura. No quesito doce, a tortinha de morango e o pastel de brigadeiro são os campeões de venda. Geralmente, ninguém liga se são engordativos ou não”, frisa a funcionária, que esperava vender mais hoje, no Dia da Gula. “Pode ser uma justificativa para abusar”, brinca.

Outro que não se preocupa em se entregar ao impulso da gula é o comerciante Alvaro Antonelli Junior, 50 anos. O café da manhã, ontem, foi leve: pão de queijo e cafezinho. No entanto, ele não costuma fazer regimes. “Quando me dá vontade, eu como sem remorso. Mas só salgados, pois não gosto de doces”.

Só aos finais de semana

“Hoje (segunda-25), estou abrindo uma exceção e comendo pães de queijo no café da manhã. Mas, geralmente, é só o café”, conta o educador físico Osvaldo Antônio Sciptioni, que prefere evitar guloseimas de segunda a sexta. “Aos finais de semana, porém, não existem regras. O bom churrasquinho e a cervejinha não podem faltar”, comenta, aos risos.

Você sabia?

Carboidratos - bombas calóricas
Os carboidratos como pães e bolos, feitos à base de farinha branca, são bombas calóricas porque se transformam em açúcar quando metabolizados no organismo. A compulsão pela ingestão desses produtos se dá porque liberam serotonina - o hormônio do bem-estar.

 

Chocolate - paixão
O chocolate é uma das guloseimas mais “viciantes”. Isso porque a digestão do doce libera feniletilamina, a mesma substância responsável por alguns sentimentos, como a paixão. Sua composição também imita a anandaída, ligada aos sentimentos de prazer e bem-estar.

 

Docinhos - prazer
O açúcar refinado nos docinhos libera serotonina, o hormônio do prazer. Mas o processo é mais complexo, pois o açúcar, como os carboidratos refinados, provoca no organismo a liberação de insulina. Assim, quanto maior o consumo, maior a sensação de bem-estar.

 

Gorduras - sem abuso
A gordura saturada está nas carnes, queijos e frituras, por exemplo. Quando saturada, instiga o cérebro a liberar dopamina, outro neurotransmissor ligado ao prazer.

 

Cafezinho - estimula
Por conter cafeína, o café atua principalmente no sistema nervoso central, estimulando-o. Assim, pode causar náusea, agitação e nervosismo. Estudos pretendem demonstrar que a bebida pode ajudar na memória e em dores de cabeça.

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